Polícia britânica prende dois suspeitos por uso de drones em Gatwick

Contrariando legislação do país, o uso dos drones a menos de um quilometro do aeroporto obrigou o fechamento da pista e afetou mais de mil voos

Passageiros tiveram voos cancelados e precisaram esperar no aeroporto de GatwickPassageiros tiveram voos cancelados e precisaram esperar no aeroporto de Gatwick - Foto: Glyn Kirk/AFP

Duas pessoas foram detidas por suposto envolvimento no "uso criminoso de drones" no aeroporto de Gatwick, próximo a Londres, informou a polícia neste sábado (22), após três dias de perturbações que fizeram milhares de pessoas perderem seus voos. "Com base em nossas investigações pelo uso criminoso de drones, o que alterou seriamente os voos de saída e de chegada do aeroporto de Gatwick, a polícia de Sussex realizou duas prisões", informou o superintendente da polícia, James Collis.

Foram detidos um homem de 47 anos e uma mulher de 54 anos que são moradores locais. As prisões ocorreram na noite de sexta (21), e os dois continuam em custódia. Eles podem ser condenados a até cinco anos de prisão e a pagar multas elevadas. Nenhum grupo assumiu responsabilidade pela ação. Mas investigadores consideram a possibilidade de defensores do meio ambiente estarem por trás do ataque.

Os drones foram vistos pela primeira vez voando em torno de Gatwick, o segundo maior aeroporto do Reino Unido, na quarta-feira (19), o que obrigou o fechamento da pista e afetou mais de mil voos, provocando caos para mais de 120 mil pessoas a poucos dias do Natal.

Leia também:
Barco Open Arms resgata cerca de 300 migrantes no Mediterrâneo
Comissão alerta sobre nova fase da crise na Nicarágua
Polícia peruana procura turista americana cega desaparecida em Machu Picchu


Segundo o comunicado da polícia, a investigação continua, e os agentes usam "um leque de táticas" para "detectar e impedir novas incursões de drones". "Continuamos pedindo à população e aos passageiros na região de Gatwick que fiquem atentos e nos ajudem comunicando imediatamente qualquer informação que possa nos auxiliar."

O aeroporto voltou a operar nesta sexta-feira (21), apesar de uma última aparição de um drone, às 15h10 (horário de Brasília), o que provocou nova suspensão dos voos. O aeroporto reabriu a sua única pista, depois de ficar paralisado por quase 36 horas devido à presença insistente de drones de origem desconhecida, um incidente "sem precedentes", segundo o governo.

Gatwick alertou os passageiros que atrasos e cancelamentos devem ser esperados.
"A segurança é a maior prioridade em Gatwick e estamos gratos pela paciência contínua dos passageiros enquanto trabalhamos para levá-los ao seu destino final a tempo para o Natal", afirmou o aeroporto.

Embora os misteriosos drones não tenham sido interceptados, a reabertura foi possível graças às "medidas" para mitigar a ameaça, em colaboração com a polícia e o exército, explicou à BBC o diretor de operações da Gatwick, Chris Woodroofe, sem dar mais detalhes. Em um comunicado, a polícia de Sussex, o condado onde fica o aeroporto, disse que eles "aplicaram recursos significativos para procurar e localizar o drone".

Entre as grandes linhas aéreas que operam em Gatwick estão easyJet, British Airways e Norwegian. Elas disseram que ainda é muito cedo para avaliar o impacto financeiro do incidente. A legislação britânica estipula que drones não podem ser usados a menos de um quilômetro de um aeroporto e não podem superar uma altitude de 122 metros.

Veículos aéreos não tripulados têm se tornado uma ameaça a aeroportos ao redor do mundo. No Reino Unido, o número de quase colisões entre drones privados e aeronaves mais do que triplicou entre 2015 e 2017, com 92 incidentes registrados no ano passado.

Veja também

Hungria aprova lei contra 'promoção' da homossexualidade entre menores
Preconceito

Hungria aprova lei contra 'promoção' da homossexualidade entre menores

Consumo de energias fósseis é de 80% do total, igual a dez anos atrás
Energia

Consumo de energias fósseis é de 80% do total, igual a dez anos atrás