Presidente destituído da Catalunha insiste em governar de Bruxelas

Até o momento, Puigdemont não tem intenções de voltar à Espanha

Carles PuigdemontCarles Puigdemont - Foto: Reprodução/ Facebook

O presidente destituído da Catalunha, Carles Puigdemont, declarou nesta sexta-feira (19), em entrevista à Catalunha Rádio, que é possível governar a distância, graças às novas tecnologias. "Entre ser presidente e ser presidiário, prefiro ser presidente, porque acredito que assim posso servir melhor à Catalunha", afirmou Puigdemont, que está autoexilado na Bélgica desde o final de outubro do ano passado, quando o governo espanhol o destituiu e suspendeu temporariamente a autonomia da região.

Até o momento, Puigdemont não tem intenções de voltar à Espanha já que, no país, pesa contra ele uma investigação por crimes de rebelião e desvio de verbas públicas. Caso vá para a Espanha, será imediatamente preso. A candidatura de Puigdemont para reassumir o cargo de presidente da Generalitat (governo catalão) a distância é controversa. O primeiro-ministro, Mariano Rajoy, e políticos catalães contra o separatismo já declararam que recorrerão ao Tribunal Constitucional caso o Parlamento aceite a posse de Puigdemont.

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O partido do ex-presidente - Juntos pela Catalunha (JuntsxCAT) - analisa duas opções de posse a distância: ou delegando seu discurso a outro deputado, ou por skype.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de exercer um governo efetivo estando em outro país, Puigdemont afirmou que segue em constante contato com seus ex-conselheiros em Barcelona e que os grandes projetos empresariais e de investigação hoje em dia são comandados por meio das novas tecnologias.

Puigdemont reconheceu que essa não é a situação ideal, mas defendeu que pior seria governar na Espanha, pois teria que fazê-lo estando preso. "Espero poder me reunir o quanto antes com Roger Torrent (o novo presidente do Parlamento, eleito na última quarta-feira [10]). A primeira e a segunda autoridade do país devem se reunir para falar sobre a posse. O encontro deveria acontecer no Parlamento ou na Generalitat em circunstâncias normais, mas a reunião obviamente só poderá ocorrer em Bruxelas", disse.

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