Presidente eleito dos EUA em guerra declarada contra seus espiões

Antes de assumir o cargo, Donald Trump cavou um fosso com seus futuros serviços de inteligência

Magistrado saiu em defesa da Corte. "A Lava Jato só existe graças ao STF"Magistrado saiu em defesa da Corte. "A Lava Jato só existe graças ao STF" - Foto: Ed Machado / Folha de Pernambuco

A uma semana de sua posse, em 20 de janeiro, o presidente eleito Donald Trump prepara sua chegada à Casa Branca em meio às polêmicas sobre os serviços secretos e sua relação com a Rússia.

Antes mesmo de assumir o cargo, Donald Trump cavou um fosso com seus futuros serviços de inteligência, aos quais acusou publicamente de incompetência e deslealdade, enquanto seus futuros ministros expressaram sua "confiança".

O futuro diretor da CIA, Mike Pompeo, apresentou-se na quinta-feira diante do Congresso em uma posição desconfortável. Nomeado por um presidente eleito que vaiou as agências de inteligência, deve dirigir a mais famosa delas.

No Twitter e em sua primeira coletiva de imprensa desde a sua eleição, Donald Trump acusou os serviços de inteligência de estar por trás do vazamento para a imprensa de um relatório cuja veracidade não foi comprovada citando alegadas ligações do bilionário com a Rússia e outras informações comprometedoras, incluindo um vídeo sexual.

Os chefes dos serviços de inteligência apresentaram nesta sexta a Donald Trump um resumo do relatório, de acordo com vários meios de comunicação.

O presidente eleito considerou "ultrajante que as agências de inteligência tenham permitido" a publicação "de informações errôneas e falsas".

Ele também atacou a imprensa, principalmente o site Buzzfeed, descrito como "monte de lixo", após ser o primeiro a publicar este relatório.

Apelo de Clapper

Suas críticas lhe renderam um telefonema do diretor de Inteligência James Clapper, "consternado" com o vazamento do documento não auditado.

Clapper assegurou-lhe que os seus serviços não estavam envolvidos na preparação nem na publicação deste documento.

Trump comentou no Twitter sobre o telefonema, chamando novamente o relatório de "falso e fictício".

Mas James Clapper, cujo escritório (ODNI) coordena as 17 agências de inteligência dos Estados Unidos, teve o cuidado de não comentar sobre o conteúdo do documento, sobre o qual seus serviços não fizeram "nenhum julgamento quanto à fiabilidade das informações".

Ele se limitou a expressar preocupação com a sua postagem na internet, algo "extremamente tóxico e prejudicial à segurança nacional".

Seu autor, Christopher Steele, um ex-agente secreto britânico que esteve baseado em Moscou durante vários anos para o MI6, ainda não pôde ser contactado.

Uma fonte próxima à inteligência britânica disse à AFP em Londres que "conhece" Steele e Chris Burrows, co-diretores de empresa de inteligência Orbis, garantindo que eles tinham "boa reputação e que é impossível que tenham fabricado o relatório".

"Mas eu não posso dizer o mesmo sobre suas fontes", acrescentou, dizendo que "o relatório não é credível, porque não contém quaisquer reservas".

Moral dos agentes afetada

Um especialista do Council on Foreign Relations, Max Boot, conhecido por suas posições anti-Trump, sugeriu no New York Times ao presidente eleito "limpar seu nome" criando uma comissão especial para investigar o caso.

Os ataques de Donald Trump "afetaram o moral" dos agentes, lamentou por sua vez o senador Mark Warner, vice-presidente da comissão de Inteligência no Senado.

Desde sua eleição, Donald Trump desmentiu várias vezes os serviços secretos. Depois de inicialmente rejeitar suas conclusões sobre a interferência da Rússia na eleição presidencial, reconheceu na quarta-feira pela primeira vez que Moscou estava por trás dos ciberataques ao Partido Democrata.

Ele já havia dado crédito a Julian Assange, fundador do WikiLeaks e um crítico ferrenho de Hillary Clinton, que negou que Moscou tenha fornecido as informações que ele publicou sobre o Partido Democrata.

'Confiança' do futuro chefe do Pentágono

O futuro presidente também expressou a sua desconfiança em relação aos serviços em dezembro, indicando que não iria receber os seus briefings diários como é a tradição. "Pegarei quando eu precisar", declarou ele.

Os futuros membros de sua administração, ouvidos pelo Congresso na quinta-feira, mostraram-se mais afáveis.

O próximo chefe do Pentágono, James Mattis, afirmou ter uma "confiança muito elevada" na inteligência dos Estados Unidos, assim como o futuro diretor da CIA, Mike Pompeo, a respeito dos seus agentes.

Pompeo atribuiu claramente os ciberataques durante a campanha eleitoral americana a "altos funcionários da Rússia": "Não vejo nada que precisa ser revisto nas conclusões do relatório" da CIA sobre esta questão, afirmou.

Mike Pompeo "nos deve agora a verdade", incluindo a Donald Trump, concluiu Adam Schiff membro da Comissão de Informação na Câmara dos Representantes.

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