Pressão aumenta na UE para reconhecer Guaidó na Venezuela

Países como Espanha e Alemanha expressaram disposição par reconhecer Juan Guaidó

Casas do Parlamento, em LondresCasas do Parlamento, em Londres - Foto: Daniel Leal-Olivas/AFP

A pressão aumenta no seio de uma União Europeia (UE) cautelosa em manter a sua unidade de ação para reconhecer Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, com alguns países como Espanha e Alemanha expressando a sua disposição de dar o passo.

Diferentemente de Estados Unidos, Canadá e vários países latino-americanos, a UE não reconheceu explicitamente a autoproclamação de Guaidó na quarta-feira (23) e reiterou seu chamado a novas eleições na Venezuela, algo que poderia justificar o seu próximo passo.

"Se não existir a menor vontade do regime venezuelano de proceder à convocação de eleições, teríamos que planejar a adoção de outras medidas", como "o reconhecimento (de Guaidó) como presidente interino", assegurou em Madri o chanceler espanhol, Josep Borrell.


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Na mesma linha, a Alemanha havia expressado pouco antes a sua disposição de fazê-lo se não pudessem organizar "eleições livres e justas rapidamente", disse em entrevista coletiva Steffen Seibert, porta-voz da líder do governo alemão, Angela Merkel.

Ambos asseguraram defender esta posição nas reuniões com seus sócios da UE, como a que ocorreu de manhã entre os embaixadores em Bruxelas do Comitê Político e de Segurança (COPS), encarregado de monitorar a situação fora do bloco e fazer recomendações.

Além de Espanha e Alemanha, França, Reino Unido e Dinamarca seriam favoráveis a vincular a não convocação rápida de eleições pelo governo de Nicolás Maduro ao reconhecimento de seu opositor. Outros, como a Estônia, queriam reconhecê-lo já, segundo uma fonte diplomática.

Nem todos compartilham a mesma linha. A Grécia, governada pelo partido de esquerda radical Syriza, seria partidária de esperar e tentar alcançar um diálogo entre as partes na Venezuela por meio de um grupo de contato, de acordo com a mesma fonte.

Na véspera da reunião em Bruxelas, o secretário de Estado grego das Relações Exteriores, Georgios Katrougkalos, havia dito que seu país, por enquanto, continuava "reconhecendo o governo legítimo da Venezuela", referindo-se ao de Nicolás Maduro.

Ultimato
Depois que, na quinta-feira, o chanceler britânico, Jeremy Hunt, assegurou de Washington que o Reino Unido apoiará claramente Guaidó, a UE prepara agora uma nova declaração para urgir a Maduro que convoque "imediatamente" eleições. "Estamos falando de dias, não de semanas", assegurou outras fonte diplomática.

"Maduro pode escolher entre ser (o presidente sírio) Bashar al-Assad ou (o soviético) Mikhail Gorbachev", ou fazer como o primeiro na Síria, ou como o segundo "e ser o homem da transição e de uma saída honrada para o chavismo", segundo outro diplomata europeu.

Este chamado, que intensifica com uma espécie de ultimato temporário a sua primeira posição comum de quarta-feira, permitiria à UE, onde as posições são unanimemente definidas, manter a unidade de ação, enquanto estuda outros eventuais passos, como o do reconhecimento.

Os 28 sempre consideraram que a eleição presidencial de maio de 2018, que levou Maduro a assumir um segundo mandato em janeiro, não foi democrática. A UE não reconhece a legitimidade de seus resultados nem da governista Assembleia Constituinte, que deu sua aprovação para convocar essas eleições.

Guaidó, atual presidente Assembleia Nacional (maioria opositora), justificou a sua autoproclamação em três artigos da Constituição, referindo-se ao vazio de poder com a renúncia, incapacidade mental, morte do presidente ou abandono de cargo, e outros sobre a defesa da vigência da Constituição em caso de ser violada.

Na Comissão Europeia, alguns consideram neste sentido que se levarem em conta a Constituição da Venezuela, a UE poderia interpretar que esta dá uma "legitimidade verdadeira" a Guaidó como presidente em caso de vazio institucional.

Os europeus, que desde outubro trabalham em em um Grupo de Contato Internacional, também observam países como o México, que mostrava interesse em participar deste e que nesta sexta-feira expressou a sua disposição de acolher Maduro e Guaidó para um diálogo.

A extrema cautela mostrada pelos países da UE em uma situação delicada na Venezuela incomodou alguns no bloco, como o presidente da Eurocâmara, Antonio Tajani, que na quinta-feira exigiu que Maduro "saísse já".

Aumentando a pressão sobre a diplomacia europeia, a Eurocâmara debaterá na semana que vem sobre a situação no país a fim de pedir à UE que "também reconheça oficialmente" Guaidó, segundo explicação do principal grupo da Câmara, o PPE.

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