Procurador que investigou interferência russa nas eleições nos EUA aceita depor ao Congresso

A investigação conduzida pelo procurador especial buscou determinar se houve interferência da Rússia no pleito que elegeu Donald Trump

Robert Mueller, procurador especialRobert Mueller, procurador especial - Foto: MANDEL NGAN / AFP

O procurador especial Robert Mueller aceitou testemunhar ao comitê judicial do Congresso americano sobre a investigação sobre a interferência russa nas eleições presidenciais de 2016, anunciaram nesta terça (25) legisladores democratas.

"O procurador especial Robert Mueller testemunhará perante o comitê judicial e ao comitê de inteligência da Câmara no dia 17 de julho, em conformidade com uma convocação feita nesta tarde", publicou numa rede social Jerrold Nadler, chefe do comitê judicial.

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A investigação conduzida pelo procurador especial buscou determinar se houve interferência da Rússia no pleito que elegeu Donald Trump e se o presidente teria obstruído a Justiça ao tentar impedir o inquérito sobre o papel do Kremlin na eleição.

Desde que Mueller entregou seu relatório de mais de 400 páginas ao secretário de Justiça, William Barr, no fim de maio, a Câmara dos Deputados, dominada pela oposição democrata, trava uma batalha política para ter acesso à versão integral do documento.

No começo do mês, após semanas de negociações tensas, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos concordou em fornecer ao Congresso algumas das principais evidências coletadas pela apuração.

Os congressistas chegaram a intimar o departamento a apresentar o material -uma prerrogativa legal do comitê-, mas a ordem não foi cumprida. Até o momento, os deputados puderam ler o relatório com trechos suprimidos por Barr, além de um resumo do secretário que, segundo o próprio Mueller, distorceu algumas de suas conclusões.

Ao anunciar sua aposentadoria do Departamento de Justiça dos EUA, o procurador afirmou não ter clareza de que Trump não cometeu crimes, mas afirmou não poder processá-lo, pois a lei proíbe que isso seja feito enquanto o presidente estiver no cargo.

Mueller afirmou, porém, que a Constituição prevê outro procedimento neste caso -uma referência à eventual abertura de um processo de impeachment pelo Congresso. "Se nós tivéssemos confiança de que o presidente claramente não cometeu um crime, nós teríamos dito isso", afirmou.

Trump diz que o relatório o exonera completamente do que ele chama de uma caça às bruxas montada pelos democratas frustrados com a sua vitória nas eleições. Mueller é o centro de uma disputa entre o governo e os democratas, que pressionavam o procurador a depor sobre as apurações.

"Os americanos querem ouvir o procurador especial diretamente, para então entender o que ele e sua equipe apuraram, descobriram e determinaram sobre o ataque da Rússia a nossa democracia, a relação com a campanha de Trump e o uso que ela fez daquela ajuda, e a obstrução do presidente e de seus aliados na investigação sobre o ataque", afirmaram Nadler e Adam Schiff, chefe do comitê de Inteligência, em um comunicado.

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