Quatro policiais e agressor mortos em ataque em Paris

De acordo com testemunhas, o agressor trabalhava na Direção de Inteligência da sede da polícia há cerca de 20 anos e sofria de surdez

Poliícia de Paris nas ruas após o ataque que deixou quatro oficiais mortosPoliícia de Paris nas ruas após o ataque que deixou quatro oficiais mortos - Foto: MARTIN BUREAU / AFP

Quatro policiais foram mortos esfaqueados nesta quinta-feira (3) dentro da sede da polícia de Paris, agredidos por um funcionário que depois foi abatido por agentes das forças da ordem.

"Lamentamos a morte de quatro pessoas, três homens e uma mulher. Três funcionários policiais e um agente administrativo", declarou à imprensa o procurador de Paris, Remi Heitz.

O autor do ataque era um homem de 45 anos, informou. De acordo com testemunhas e diversas fontes, o agressor trabalhava na Direção de Inteligência da sede da polícia há cerca de 20 anos e sofria de surdez.

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Nascido nas Índias francesas, o agressor se converteu ao Islã há 18 meses, disse à AFP uma fonte próxima ao caso.

As autoridades abriram uma investigação por "homicídios voluntários", sem intervenção da promotoria antiterrorista.

"Jamais demonstrou dificuldades de comportamento", destacou o ministro do Interior, Christophe Castaner, que adiou uma viagem à Turquia e Grécia por causa da tragédia.

Embora as motivações deste episódio ainda sejam desconhecidas, os investigadores privilegiava, em princípio, a pista de um conflito pessoal.

A esposa do agressor foi detida no âmbito da investigação, segundo a Procuradoria.

Inédito na história da polícia francesa, o ataque aconteceu no início da tarde dentro do quartel-general, um local emblemático, localizado no centro histórico da capital, perto da Catedral de Notre-Dame.

O homem iniciou o ataque "em seu escritório e partiu para continuar sua agressão em outros lugares da sede", relatou Loic Travers, funcionário do sindicato Aliança Polícia Nacional, à emissora BFMTV.

"As pessoas corriam, gritando", declarou Emery Siamandi, um intérprete que estava no prédio no momento da ocorrência.

"Ouvi um disparo. Momentos depois, vi a polícia gritando, em pânico", completou.

O agressor era "um funcionário modelo, sem histórias", com "mais de 20 anos de carreira" na sede da polícia, afirmou o delegado do sindicato.

O presidente francês, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro e o ministro do Interior da França foram imediatamente ao local do ataque, na ilha de La Cité, no coração da capital. A área foi totalmente bloqueada ao tráfego e à circulação de pedestres.

Desde 2015, a França foi palco de vários ataques atribuídos a grupos jihadistas, que incluíram atentados sincronizados e agressões isoladas com arma branca. No total, 251 pessoas perderam a vida nesses ataques, e o país ainda se encontra em estado de alerta.

A polícia continua a ser alvo recorrente de organizações extremistas, incluindo o Estado Islâmico (EI).

"Ver um colega atacando outros colegas, isso é algo incrível para um policial", comentou outro funcionário do sindicato, Denis Jacob.

Na sua opinião, o ataque seria um sinal da "ruptura do vínculo entre nós" e da "desumanização da instituição".

Durante a manhã, uma mensagem de alerta foi transmitida nos altos-falantes do Palácio da Justiça de Paris, localizado em frente à sede da polícia.

"Um ataque ocorreu na sede da polícia. A situação está sob controle, e o setor permanece sob vigilância", alertou a mensagem.

Esse ataque mortal ocorre no dia seguinte ao protesto de milhares de policiais em Paris, uma mobilização sem precedentes em quase 20 anos, em meio à preocupação da instituição com o aumento do número de suicídios e com a reforma previdenciária.

Segundo organizações sindicais, 26.000 pessoas participaram dessa mobilização. Existem quase 150.000 policiais na França.

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