Refeitório de caridade alemão que não atende imigrantes tem muros pichados com 'nazistas'

Estabelecimento se justificou explicando que o fluxo de refugiados nos últimos anos deixava em desvantagem os pobres locais em termos de ajuda humanitária.

Veículo do "Essener Tafel" (Essen Foodbank) manchado com a palavra "Nazis" em Essen, na AlemanhaVeículo do "Essener Tafel" (Essen Foodbank) manchado com a palavra "Nazis" em Essen, na Alemanha - Foto: Patrik Stollarz/AFP

Vários grafites com a palavra "nazistas" foram descobertos nesta segunda-feira (26) em veículos e instalações de um refeitório de caridade na localidade alemã de Essen, depois que o estabelecimento decidiu não aceitar mais estrangeiros. Em sinal de protesto, o responsável da associação, Jörg Sartor, disse que não apagaria os grafites imediatamente para "que todo mundo possa vê-los".

A polêmica decisão deste refeitório popular de servir comida somente a alemães foi anunciada na semana passada e despertou um forte debate no país. O estabelecimento se justificou explicando que o fluxo de refugiados nos últimos anos deixava em desvantagem os pobres locais em termos de ajuda humanitária.

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Em seu site, o refeitório popular detalhou que os estrangeiros representam atualmente dois terços de seus visitantes. Por esta razão, "nos vemos obrigados a aceitar atualmente apenas clientes com passaporte alemão a fim de garantir uma boa integração", escreveram os responsáveis pelo espaço. Esclarece que esta restrição durará até que a situação recupere um nível normal.

Seu responsável também mencionou como argumento os comportamentos desrespeitosos de jovens imigrantes, especialmente com as mulheres, assim como as brigas no interior do local, nas quais não levavam em consideração as pessoas idosas, mulheres e crianças.

"Não cederei, nem diante dos políticos de esquerda nem diante dos de direita", advertiu o homem de 61 anos ao jornal Bild.

Sua iniciativa foi criticada por 930 refeitórios populares alemães, que se negaram a aplicar a mesma regra com o argumento de que não querem classificar as pessoas que têm necessidades básicas. "O critério é a pobreza, não a nacionalidade", declarou à AFP Antje Trölsch, porta-voz de um refeitório popular em Berlim.

O partido de extrema direita Alternativa para Alemanha (AfD) expressou seu apoio a Sartor. O movimento lamentou o fato de que "a partir do momento que alguém critica as coisas e toma atitudes, logo é qualificado de nazista".

Desde 2015 a Alemanha recebeu mais de 1,2 milhão de refugiados provenientes essencialmente de Síria, Iraque e Afeganistão. Este fluxo migratório alimentou o aumento da xenofobia no país e contribuiu para o impulso do partido AfD, que agora está representado na Câmara dos Deputados.

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