Risco de colapso em barragem provoca evacuação de 200 mil pessoas nos EUA

A barragem é considerada a mais alta dos Estados Unidos

Quase 200.000 pessoas foram evacuadas nesta segunda-feira (13) no norte da Califórnia diante do risco, já reduzido, de que um dano em uma represa causasse fortes inundações.

O governador da Califórnia, Jerry Brown, decretou estado de emergência para liberar recursos para a zona afetada e o Pentágono disse estar preparado para enviar tropas militares caso seja necessário.

O perigo diminuiu por enquanto, ainda que a ordem de evacuação se mantenha, no momento em que as autoridades avaliam a segurança do transbordamento da represa de Oroville, a maior do país, situada a 120 km ao norte de San Francisco. O nível da represa, que havia aumentado após várias semanas de fortes chuvas, diminuiu, segundo informações das autoridades.

O risco não é pela represa em si, terminada em 1968 e sobre a qual o Departamento de Recursos Hídricos da Califórnia disse não estar em perigo de entrar em colapso, mas pelo transbordamento de emergência que canaliza o excesso de água.

Um enorme buraco se abriu no reservatório principal da represa na semana passada, o que obrigou as autoridades a ativar pela primeira vez o reservatório de emergência no sábado. Mas o mesmo começou a sofrer um desgaste, ameaçando romper e desviar a água para as cidades do vale, informou a imprensa americana.

As autoridades liberaram 2.830 metros cúbicos de água por segundo através do reservatório principal, reduzindo o nível da represa no domingo, informou o jornal Sacramento Bee, que cita o porta-voz do Departamento de Recursos Hídricos, Doug Carlson.

Imagens aéreas da emissora local KCRA mostravam a água escapando do reservatório auxiliar e entrando em um reservatório secundário, também cheio, antes de se dirigir para o rio Feather, que atravessa Oroville.

"Agora que não há mais água vazando do reservatório auxiliar, apesar de isso estabilizar a situação, restam muitas incógnitas", declarou o xerife do condado de Butte, Kory Honea, durante uma coletiva de imprensa no domingo.

"Ainda não estamos em condições de tomar decisões para saber se é seguro ou não autorizar o regresso das pessoas à zona", acrescentou.

Tropas federais em alerta

Durante a noite, helicópteros colocaram pedras nas áreas desgastadas do reservatório de emergência, segundo os meios de comunicação locais, antes de ocorrerem as chuvas previstas para quarta e quinta-feira e que podem voltar a encher a represa.

A Guarda Nacional da Califórnia disse nesta segunda-feira de manhã no Facebook que havia alertado seus 23.000 membros para ficarem a postos.

"Estamos preparados para enviar (...) tropas federais se for solicitado", disse o porta-voz do Pentágono, Jeff Davis. Em "algumas áreas estamos prontos para fornecer assistência, através da aviação, fazendo imagens aéreas, resgate aquático em águas turbulentas ou tranquilas, assistência em massa e refúgio", acrescentou.

Seria a maior mobilização da Guarda Nacional desde os distúrbios em Los Angeles em 1992, depois de ser conhecido o veredito no caso de brutalidade policial contra Rodney King.

Uma boa notícia é que as equipes especializadas dos bombeiros para inundações maciças que foram enviadas para o local saíram de Oroville nesta segunda.

A ordem de evacuação foi emitida no domingo e afetou 200.000 pessoas localizadas nas zonas mais baixas da cidade de Oroville, de 20.000 habitantes, assim como as situadas rio abaixo.

"Todo o condado de Yuba na zona do vale. O reservatório auxiliar está prestes a falhar... Peguem apenas as rotas para o leste, sul ou oeste. NÃO VIAJEM PARA O NORTE RUMO A OROVILLE!!!!!".

Muitas pessoas desalojadas passaram a noite em abrigos improvisados em escolas, ginásios e bases militares.

"O estado está dirigindo todo o pessoal e os recursos necessários para conduzir esta situação muito séria", acrescentou, indicou o governador Brown em um comunicado.

Segundo o jornal The Mercury News, três organizações ambientais - Friends of the River, Sierra Club e South Yuba Citizen League - denunciaram há 12 anos às autoridades federais e regionais que a represa não cumpria com os padrões de segurança modernos e que, em caso de uma forte chuva, poderia causa danos e colocar vidas em risco.

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