Rússia prende e acusa ministro da Economia por corrupção

Alexey Ulyukayev foi acusado de "cobrar subornos", depois de ter sido preso na véspera pelo serviço secreto

Ex-presidente Lula, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Ex-presidente Lula, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC  - Foto: Nelson Antoine

Alexey Ulyukayev, ministro russo da Economia e um dos membros mais proeminentes do governo, foi acusado nesta terça-feira (15) de "cobrar subornos", depois de ter sido preso na véspera pelo serviço secreto.
Ulyukayev foi detido no âmbito da investigação conduzida pelo Serviço Federal de Segurança russo (FSB, sucessor da extinta KGB) por um esquema de corrupção de largas proporções.
O ministro de 60 anos, "exigiu da direção da companhia Rosneft", o gigante russo da indústria petrolífera, um suborno de dois milhões de dólares para autorizar a compra da empresa Bachneft, propriedade do Estado, indicou o Comitê de Investigação da Rússia (SK).
Trata-se do mais alto funcionário russo a ser preso desde a chegado ao poder, em 2000, de Vladimir Putin, que de acordo com seu porta-voz, Dmitri Peskov, estava ciente da investigação desde o início.
A imprensa e observadores tentavam determinar se a prisão e acusação do ministro era de fato um caso de corrupção ou de um acerto de contas entre clãs do Kremlin.
O ministro teria recebido na segunda-feira dois milhões de dólares para autorizar a companhia petrolífera semi-estatal Rosneft comprar uma participação majoritária na estatal energética Bashneft em outubro, segundo o SK. Ele também teria "ameaçado usar de seus poderes ligados ao seu cargo para criar obstáculos para as atividades da companhia", de acordo com a mesma fonte.
Se for considerado culpado, o ministro, membro-chave do governo, pode enfrentar uma pena entre oito e 15 anos de prisão.
A porta-voz do Comitê de Investigação do Ministério Público russo, Svetlana Petrenko, disse à agência de notícias russa RIA Novosti que, contra o ministro, há suspeitas de que ele tenha cometido extorsão para pedir suborno a executivos da companhia Rosneft, além de fazer ameaças.
"Ulyukayev foi flagrado com a mão na massa", completou. No entanto, Petrenko disse que a compra das ações da Bashneft foi realizada em conformidade com a lei e não é questionada pela investigação.
A venda de 50,07% dos ativos da sexta maior empresa de petróleo da Rússia, com sede na república de Bashkortostan, na região dos Urais, provocou um grande debate na Rússia.
A absorção de uma companhia petrolífera estatal por outra enfrentava a oposição de parte do governo russo, mas Ulyukayev validou o processo.

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