Rússia sela acordo com Turquia para trégua síria

O anúncio foi feito pelo chanceler turco, Mevlut Cavusoglu

Deputado estadual Gustavo Gouveia é o autor da propostaDeputado estadual Gustavo Gouveia é o autor da proposta - Foto: Divulgação

Os governos da Turquia e da Rússia chegaram nesta quarta-feira (28) a um acordo para implementar um cessar-fogo em toda a Síria. O anúncio foi feito pelo chanceler turco, Mevlut Cavusoglu.

Em entrevista, ele disse, porém, que o país ainda exige a saída do ditador Bashar al-Assad, uma demanda que o coloca em conflito com Moscou, aliado do regime.
"Todo o mundo sabe que não é possível haver uma transição com Assad, e também sabemos que é impossível para [a oposição] unir-se em torno dele", afirmou.

O Kremlin não comentou sobre as negociações até a conclusão desta edição. As facções rebeldes tampouco anunciaram adesão à trégua. Segundo a agência de notícias Reuters, os grupos ainda se dividiam. O principal motivo de relutância é a insistência de Moscou em excluir do cessar-fogo a periferia de Damasco, último bastião rebelde após a tomada de Aleppo pelo regime.

O trato, no entanto, não inclui organizações terroristas, o que pode complicar sua adoção. Não há consenso, afinal, sobre quais facções seriam incluídas na categoria -ao menos o Estado Islâmico e a Jabhat Fateh al-Sham, ligada à rede Al Qaeda.
Caso o cessar-fogo tenha êxito, a Turquia e a Rússia devem mediar negociações políticas futuras no Cazaquistão pelo fim do conflito.

A previsão é que os confrontos fossem interrompidos à 0h local (20h em Brasília). Horas antes, porém, a Chancelaria russa informou que uma bomba foi disparada contra o terreno de sua embaixada em Damasco.

Alienação

O plano, se for confirmado, pode consolidar Ancara e Moscou como principais mediadores desse conflito, alienando ainda mais a política externa de Washington.
Tentativas anteriores de cessar-fogo fracassaram, porém. Em setembro, um acordo mediado por Rússia e EUA foi suspenso após o contínuo bombardeio sírio nas regiões controladas pelos rebeldes.

O confronto sírio foi iniciado em março de 2011, deixando quase 500 mil mortos e 11 milhões de refugiados internos e externos. Turquia e Rússia têm defendido, nos últimos anos, posições opostas. Ancara exige a saída de Assad, enquanto Moscou defende o ditador.

O cenário pode ser alterado, porém, pela reaproximação dos dois países e do Irã. Ambos sinalizaram, nos últimos meses, que a prioridade na Síria é o fim da guerra, e não uma transição política.

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