Sarkozy deixa a política após fracasso nas primárias da direita francesa

Ex-presidente francês anunciou neste domingo a sua retirada da vida política

Marília ArraesMarília Arraes - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco/arquivo

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy anunciou neste domingo a sua retirada da vida política depois de admitir sua derrota no primeiro turno das primárias da direita, o que enterra o seu sonho de recuperar o poder em 2017.

"É hora de eu encarar a vida com mais paixão privada e menos paixão pública", declarou em um breve discurso, levando em conta "o desejo dos eleitores de escolher outros líderes políticos para o futuro".

O ex-chefe de Estado (2007-2012) indicou que votaria a favor do seu ex-primeiro-ministro, François Fillon, no segundo turno da votação no próximo domingo contra o prefeito de Bordeaux (sudoeste), Alain Juppé.

"Tenho grande respeito por Alain Juppé, mas as escolhas políticas de François Fillon me são mais próximas", disse ele, referindo-se à agenda liberal no plano econômico e conservadora em questões sociais do seu ex-chefe de governo.

Nicolas Sarkozy, de 61 anos, que liderou uma campanha muito à direita e que apresentava-se como o candidato "da maioria silenciosa" contra as elites, apelou aos seus apoiantes para "nunca tomar o caminho dos extremos", em alusão ao partido de extrema-direita Frente Nacional (FN).

"Boa sorte para a França, boa sorte para vocês meus queridos compatriotas, tenham a certeza de que francês eu sou, francês permanecerei e que tudo que, de perto ou de longe, afeta a França, sempre me afetará pessoalmente", disse Nicolas Sarkozy, claramente comovido.

"Eu sou assim, não mudo, não guardo qualquer rancor, nenhuma tristeza, e eu desejo o melhor para o meu país, para vocês meus queridos compatriotas, e para quem irá liderar este país que eu amo tanto, a direita transmitiu uma boa imagem, tive o prazer de participar nesta luta, adeus a todos".

De personalidade forte, Nicolas Sarkozy provocava adoração entre alguns, mas uma forte rejeição entre muitos outros. Seu posicionamento e seu estilo combativo, considerado febril por seus críticos, gerou a criação de uma frente "tudo, menos Sarko" desde a campanha presidencial de 2012, que ele perdeu contra o socialista

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