Sistema eleitoral norteamericano é alvo de críticas

Castro: “Só funciona por causa do bipartidarismo”

Joaquim BarbosaJoaquim Barbosa - Foto: Divulgação

Após o candidato republicano, Donald Trump, se eleger presidente dos Estados Unidos, milhares de pessoas foram às ruas questionar o resultado das urnas e demonstrar sua repulsa pelo empresário. A adversária democrata, Hillary Clinton, obteve maior quantidade de votos populares, mas perdeu no Colégio Eleitoral, fato que aconteceu outras quatro vezes na história desde a fundação do país, em 1787.

Apesar de estável e funcional, o complexo sistema eleitoral norteamericano é alvo constante de questionamento e críticas. Os críticos do Colégio Eleitoral pontuam que este sistema viola o princípio democrático de uma pessoa, um voto. Além de distorcer a campanha presidencial, ao estimular os candidatos a fazerem campanha em apenas alguns poucos estados e, sobretudo, nos estados-pêndulos (onde não há clara preferência por democratas ou republicanas).

“Acho isso intolerável para a democracia”, critica o cientista político George C. Edwards 3º, da Universidade Texas A&M, ao jornal New York Times. A cada eleição se repete, sobram críticas e falta disposição em alterar. E o tempo às vezes é irônico.

O maior beneficiado deste sistema de Colégio Eleitoral, que permite ao candidato vencer sem conquistar a maioria dos eleitores, já havia o criticado em 2012, via Twitter. “O Colégio Eleitoral é um desastre para a democracia”, escreveu o então empresário, Donald Trump, em meio à apuração de votos que culminou na reeleição do presidente democrata Barack Obama.

Dos 538 delegados, um candidato precisa de 270 para ganhar a Presidência, o que corresponde a metade mais um. Os Estados Unidos possuem 50 estados. Apesar de ter recebido mais votos populares - a apuração oficial não havia terminado até o fechamento desta edição -, Hillary venceu em 20 estados e na Capital Federal, o que
representa 228 votos no Colégio Eleitoral.

Entretanto, Trump venceu em 29 estados e somou 290 votos, 20 a mais do que o necessário. Ao contrário do Brasil, onde o voto é direto, o sistema eleitoral norte-americano ocorre por voto indireto.

O voto nominal tem peso relativo, de acordo com o estado. “(O sistema) causa distorções, que acabam privilegiando um pouco regiões mais rurais (...) e os estados
menos populosos são sobrerrepresentados”, avalia a cientista política Nara Pavão, da UFPE. Cada estado possui o número de delegados proporcionalmente à população e ao número de representantes na Câmara dos Representantes e no Senado. O candidato que vencer em um estado, leva todos os delegados.

A ideia de definir a Presidência por meio de delegados surgiu no século XVIII. À época, as elites rurais, brancas e conservadoras temiam o voto popular por sua imprevisibilidade. “É uma ideia elitista. Havia o medo da vontade da maioria, medo de que grupos minoritários ganhassem força”, destaca Nara.

Para o cientista político Thales Castro, da Unicap, o sistema, todavia, só funciona por causa do bipartidarismo (Republicanos e Democratas). “(O bipartidarismo) é parte da cultura norteamericana, faz parte da fundação do país”, sublinha.

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