Mundo

Sob efeito Trump, Israel aprova construção de 2.500 residências na Cisjordânia

O governo de Barack Obama condenava sistematicamente estas iniciativas de Israel

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald TrumpO presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump - Foto: Don Emmert/AFP

Israel aprovou nesta terça-feira (24) a construção de 2.500 residências na Cisjordânia ocupada, o maior anúncio deste tipo em anos, aproveitando a situação mais favorável em Washington após a chegada de Donald Trump à Casa Branca.

O ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, e o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, decidiram aprovar a construção de 2.500 unidades habitacionais "para atender as necessidades de moradia e da vida cotidiana", anunciou um porta-voz do Ministério da Defesa, quatro dias depois da posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos.

Trata-se da segunda decisão israelense sobre a colonização em apenas dois dias, após a autorização, por parte da cidade de Jerusalém, da construção de 566 residências nos bairros de colonos de Jerusalém Oriental, parte majoritariamente palestina que foi ocupada e anexada por Israel.

Este anúncio reflete a vontade claramente afirmada pelo governo israelense de aproveitar a nova situação criada após a chegada de Trump à Casa Branca, depois de oito anos de oposição de Obama à colonização."Estamos construindo e vamos continuar construindo", afirmou Netanyahu em sua conta no Twitter.

O governo palestino condenou este novo anúncio. "A comunidade internacional deve exigir imediatamente que Israel preste contas", disse à AFP Saeb Erakat, da Organização para Libertação da Palestina (OLP).

Para ele, Israel se sente estimulado "pelo que considera um apoio do presidente americano Donald Trump".

Netanyahu afirmou na segunda-feira (23) que a situação havia mudado desde a posse de Trump. Depois de oito anos de "pressões enormes" sobre os temas de Irã e das colônias, "estamos diante de uma grande oportunidade para a segurança e o futuro do Estado de Israel", assinalou.

Diferentemente do governo democrata, até o momento a administração de Trump não condenou o anúncio israelense. Interrogado durante um encontro com a imprensa, Sean Spicer, porta-voz de Trump, esquivou-se do tema ao declarar que "Israel segue sendo um aliado muito importante dos Estados Unidos".

O governo de Barack Obama condenava sistematicamente estas iniciativas de Israel, destacando que iam na contramão da busca de uma solução para o conflito palestino-israelense.

As colônias são ilegais para a comunidade internacional e, para uma grande parte de seus membros, são um grave obstáculo no processo de paz entre israelenses e palestinos.

- ONU denuncia ações unilaterais -

As Nações Unidas (ONU) denunciaram a iniciativa de Israel para acelerar a colonização e destacaram que estas "ações unilaterais" bloqueiam uma solução de dois Estados.

"Para o secretário-geral (Antônio Guterres) não há alternativa a uma solução de dois Estados", declarou o porta-voz da ONU Stéphane Dujarric.

"Toda decisão unilateral que possa obstruir o objetivo de dois Estados preocupa o secretário-geral".

Dujarric reafirmou que a postura das Nações Unidas sobre a construção de residências israelenses na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental "não mudou". "E incluímos as decisões unilaterais".

"As duas partes devem se comprometer com uma negociação de boa fé para atingir o objetivo de dois estados - Israel e Palestina - para dois povos".

Veja também

Espanha avança na adoção de licença médica menstrual, medida sem precedentes na Europa
Dignidade menstrual

Espanha avança na adoção de licença médica menstrual, medida sem precedentes na Europa

Venezuelano se torna o homem mais velho do mundo com 112 anos
mundo

Venezuelano se torna o homem mais velho do mundo