Superlua encanta o mundo, mas frustra os recifenses; veja fotos pelo mundo

Lua maior do que o normail é resultado de dois fenômenos astronômicos concomitantes

Avião em aproximação do aeroporto de Heathrow, em Londres, com a superlua ao fundoAvião em aproximação do aeroporto de Heathrow, em Londres, com a superlua ao fundo - Foto: Adrian Dennis/AFP

Depois dos habitantes da Ásia e do Pacífico, milhares de europeus observam na noite desta segunda-feira (14) o aparecimento da Superlua, um espetáculo mundial inédito em quase 70 anos, em que nosso satélite é visto maior e mais brilhante do que nunca. No Recife, entretanto, o começo da noite foi de frustração.

O Marco Zero do Recife ficou ainda mais cheio de gente nesta segunda-feira, véspera de feriado de Proclamação da República. Muita gente foi ao ponto turístico na expectativa de apreciar o fenômeno da Superlua - mas frustração foi o que a maioria sentiu, já que as condições meteorológicas não ajudaram. Com seus três netos e o marido, Elba Carvalho passou quase uma hora à espera da lua. "Qualquer evento, você já sabe para onde ir: o Marco Zero. Mas as nuvens não ajudaram", comenta.

Para Gerson Damasceno e Peter Holder, que também estiveram no Marco Zero com câmeras profissionais e aparato preparado para fotografar o evento, a noite foi de frustração ainda maior. "Faz 15 dias que a gente se planejou. Viemos ontem [domingo, 13], para estudar a melhor composição e escolher até as lentes que iríamos usar. Foi uma 'morgação' geral. Cheguei até a ir para o farol, mas estava tudo escuro", conta Damasceno.

Mas não foram só as nuvens que atrapalharam a visualização do fenômeno: chuvas rápidas também ajudaram a dispersar os visitantes na área central do Recife.

No Brasil, o clima pode prejudicar a observação, visto que a previsão é de chuva e céu nublado em boa parte do país.

Superlua na Europa

A Superlua é resultado de dois fenômenos astronômicos concomitantes: a fase de Lua cheia e o momento em que o astro, cuja órbita é elíptica, está o mais perto possível da Terra.

"Uma Superlua pode ser até 14% maior e 30% mais luminosa que uma Lua cheia no seu apogeu" (posição na sua órbita na que se encontra mais afastada da Terra), segundo a Nasa.

A Lua atingiu seu perigeu, o ponto de órbita mais próximo ao centro do nosso planeta, às 11h22 GMT (9h22 de Brasília) e ficou cheia às 13h52 GMT (11h52 de Brasília).

Ao longo do dia, à medida que for anoitecendo, os habitantes de todas as regiões do mundo poderão observar este fenômeno.

Mas o espetáculo depende, em grande medida, das condições meteorológicas, já que se precisa de um céu limpo para poder observar o fenômeno em toda a sua plenitude.

Centenas de gregos e de turistas apreciaram a Superlua em volta da Acrópole de Atenas. As poucas nuvens que cobriam o céu foram se dissipando, e o satélite apareceu entre as colunas do monumento antes de iluminar toda a colina, segundo um fotógrafo da AFP no local.

Cerca de 2.000 km mais ao norte, na Cracóvia, o psicoterapeuta Roman Kwiatkowski observava o céu no seu terraço. "A Lua parece mais dourada do que de costume, não tem sua fria cor prateada de sempre", disse à AFP.

Quase no mesmo meridiano, mas na África, dezenas de pessoas se reuniram na praia de Coco Beach de Dar es Salam, capital econômica da Tanzânia, para admirar o espetáculo.

Varsóvia, Londres e Berlim tiveram menos sorte. Na capital inglesa, as nuvens sequer permitiam identificar o topo do Shard, o arranha-céu mais alto da Europa, com 309 metros.

Em Lisboa, muitos habitantes se reuniram às margens do rio Tejo para assistir ao lento surgimento da Lua sobre a ponte Vasco da Gama, em um céu sem nuvens.

"Não podia perder isto. É a primeira vez que fotografo uma Superlua. É fantástico", disse um fotógrafo amador à um canal de televisão português.

Horas antes, gritos de alegria e aplausos tomaram conta da pequena Praia de Bondi, uma das mais famosas de Sydney, onde milhares de pessoas se reuniram, quando a Lua surgiu no céu brevemente entre duas espessas nuvens cinzas.

"É muito legal", disse à AFP Aidan Millar-Powell, em referência ao ambiente festivo e comunitário na Praia de Bondi. "As pessoas não costumam se reunir assim em Sydney para ver um fenômeno natural (...) Ninguém quer morrer sem poder dizer: 'vi a Superlua'".

Mais luminosidade

Em Hong Kong, turistas, trabalhadores de escritório e casais lotavam o litoral enquanto a Superlua surgia por trás dos arranha-céus do centro financeiro da cidade.

"Nunca vi uma Lua tão grande", disse à AFP Lee Pak-kan. "A Lua é bastante alaranjada, é algo especial", acrescentou este habitante de Hong Kong.

No Japão, o espetáculo foi visível em algumas partes do arquipélago, mas não em Tóquio, onde o céu estava nublado.

As praias de Bali, a ilha mais turística da Indonésia, também se encheram de gente, e centenas de surfistas esperavam "superondas" no momento da Superlua, devido à influência do astro nas marés.

Na Índia, o fenômeno também era visível em quase todo o país, embora em Nova Délhi, a capital mais poluída do mundo, os habitantes tenham tido dificuldades para observar a Superlua através de uma espessa camada de fumaça que cobre o céu há semanas.

Nesta segunda-feira, a Lua está a 'apenas' 356.509 km da Terra - a distância média é de 384.400 km.

"É necessário remontar a 26 de janeiro de 1948 para ter uma Superlua cuja distância em relação à Terra seja menor" do que essa", afirma Pascal Descamps, do Observatório de Paris.

E teremos que esperar até 25 de novembro de 2034 para que a Lua se aproxime mais de nós, acrescenta.

Além disso, "como o sistema Terra/Lua se aproximará da época do ano em que está mais perto do Sol (em 4 de janeiro de 2017), a Lua vai receber mais luz solar do que o habitual, o que também aumentará seu brilho aparente", de acordo com a Associação Astronômica Irlandesa (IAA).

O fenômeno é visível a olho nu em todos os lugares (se as condições meteorológicas permitirem, é claro), mas com binóculos ou um telescópio a superfície lunar poderá ser escrutada como nunca.

Em alguns países, como a Tailândia, as autoridades colocaram telescópios à disposição do público em várias cidades.

Em Taiwan, o Museu Astronômico de Taipei instalou vários telescópios no centro da cidade. Muitos amadores entusiastas da observação espacial marcaram de se encontrar na cúpula da Torre 101, um dos arranha-céus mais altos do mundo.

Veja também

Ataque suicida perto de escola deixa 18 mortos no Afeganistão
TERROR

Ataque suicida perto de escola deixa 18 mortos no Afeganistão

Espanha considera 'estado de alarme' por Covid-19; Madri impõe novas restrições
Coronavírus

Espanha considera 'estado de alarme' por Covid-19; Madri impõe novas restrições