Tensão em Cabul após ataque contra academia militar

O EI e os talibãs intensificaram suas ofensivas nos últimos dias e deixaram centenas de mortos e feridos

Academia Militar Marshall Fahim, em Cabul, capital do AfeganistãoAcademia Militar Marshall Fahim, em Cabul, capital do Afeganistão - Foto: Wakil Kohsar / AFP

Ao menos 11 soldados morreram em um ataque nesta segunda-feira (29) contra a Academia Militar de Cabul, reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), que aconteceu em um momento de grande tensão com o aumento dos atentados na capital afegã. Além de 11 mortos, o ataque desta segunda-feira também deixou 16 feridos, de acordo com um balanço atualizado pelo Ministério da Defesa.

O EI e os talibãs intensificaram suas ofensivas nos últimos dias e deixaram centenas de mortos e feridos. A escalada provocou indignação e consternação entre os afegãos. "Dois homens-bomba detonaram os explosivos, outro foi detido, e três foram mortos", afirmou o porta-voz do Ministério da Defesa, general Dawlat Waziri. "As forças afegãs apreenderam um lançador de foguetes, dois rifles Kalashnikov e um colete com explosivos", disse o general.

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O EI reivindicou o "ataque suicida" em uma mensagem divulgada por sua agência de propaganda Amaq no aplicativo Telegram. As forças especiais afegãs foram enviadas para o local e para o bairro próximo à academia, um imenso complexo de mais de 40 hectares na zona oeste de Cabul.

Este ataque foi o terceiro em apenas dez dias na capital afegã, depois do atentado contra um grande hotel em 20 de janeiro e da explosão de uma ambulância-bomba no sábado, no centro de Cabul. A área é considerada uma das mais seguras da cidade por abrigar sedes de organismos internacionais, representações diplomáticas e ministérios.

"Os criminosos queriam entrar no batalhão", relatou o general Waziri, ao explicar que o ataque se concentrou no batalhão que fica do lado de fora da academia.

Complexo militar
O ataque começou às 5h (22h30 de domingo, horário de Brasília) com o lançamento de foguetes, granadas e tiros de armas automáticas. "Aconteceu uma grande explosão na entrada, o batalhão respondeu. Não acredito que conseguiram entrar", afirmou à AFP pouco depois do início do ataque um oficial que estava no local.

O porta-voz da Polícia de Cabul, Basir Mujahid, confirmou o uso de foguetes e os disparos. A Academia Marshall Fahim, um grande complexo na zona oeste de Cabul, no distrito de Qargah, forma os integrantes do Exército afegão desde que são cadetes até quando se tornam oficiais do Estado-Maior.

No mesmo local, em outubro, 15 recrutas morreram em um ataque executado por um homem-bomba contra um micro-ônibus. Em um dia normal, informou um professor, o local recebe pelo menos 4.000 pessoas, entre cadetes e oficiais, e de 300 a 500 instrutores, afegãos e estrangeiros.

A Presidência afegã decretou um recesso em Cabul nesta segunda-feira "para tratar os feridos" do massacre de sábado, quando uma ambulância-bomba deixou 103 mortos e 235 feridos. O ataque provocou grande comoção entre os afegãos e levou o governo a decretar um dia de luto nacional no domingo.

Alvo recente de vários ataques executados tanto pelos talibãs quanto pelo Estado Islâmico (EI), Cabul se tornou um dos locais mais perigosos do país para os civis. Em 20 de janeiro, talibãs atacaram o Hotel Intercontinental de Cabul e mataram pelo menos 25 pessoas, estrangeiros em sua maioria.

Persistem, porém, dúvidas sobre o número de vítimas e divergências entre o balanço do governo e as informações da imprensa afegã que citam um número maior de mortos. A cidade está em alerta máximo e teme novos ataques. Os estrangeiros foram advertidos sobre possíveis atentados do EI contra supermercados, hotéis e lojas.

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