Trump ameaça por militares na fronteira com o México

Trump não deu detalhes da medida nem disse quantos soldados seriam empregados no esforço. Mas informou que o governo e o Departamento de Defesa debatem o tema

Presidente dos EUA, Donald TrumpPresidente dos EUA, Donald Trump - Foto: Olivier Douliery / AFP

O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta terça (3) que quer colocar militares para vigiar a fronteira dos Estados Unidos com o México, até que o muro que prometeu ampliar entre os dois países seja erguido. "Temos leis muito ruins para a nossa fronteira", declarou. "Até que tenhamos um muro e segurança apropriados, vamos proteger nossas fronteiras com militares."

Trump não deu detalhes da medida nem disse quantos soldados seriam empregados no esforço. Mas informou que o governo e o Departamento de Defesa debatem o tema. Os EUA têm cerca de 3.000 km de fronteira com o México, sendo que um terço dessa extensão já tem algum tipo de barreira física. Parte do trecho onde Trump pretende construir o muro é inóspito, com desertos, reservas florestais, rios e penhascos.

A título de comparação, o Brasil tem quase 17 mil quilômetros de fronteira. Reportagem da Folha mostrou que o fluxo de imigrantes na fronteira com o México voltou a subir nos últimos seis meses. A maioria hoje entra pelo rio e não pelo deserto do Arizona, antes a principal porta para os EUA. Trump pretende aumentar as barreiras físicas na região, mas também se queixa das leis de imigração. "O Congresso precisa agir e criar leis poderosas, como há em outros países", declarou.

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Escalada

A proposta desta terça surge após uma sequência de declarações que reforçam o cerco de Trump contra a imigração ilegal, à qual ele atribui o aumento da criminalidade por gangues e traficantes, a entrada de drogas nos EUA e a perda de empregos. Nos últimos dias, o presidente disse que as leis de imigração são "uma piada de [seu antecessor Barack] Obama" e declarou que o Daca, programa que protege jovens que migraram na infância para os EUA, está "morto".

É uma inflexão após ter mostrado disposto a negociar uma solução para jovens imigrantes e que "estendia a mão aberta" para um acordo. Nesta terça, o republicano voltou a criticar a prática do "prende e solta", segundo a qual estrangeiros têm o direito de aguardar em liberdade o julgamento de seus casos nos tribunais de imigração, permanecendo no país.

A prática vale em especial para adolescentes e crianças detidos com ou sem os pais, que respondem por boa parte do fluxo migratório na fronteira com o México. A maioria vem de El Salvador, Honduras e Guatemala, fugida do aliciamento de gangues ou de ameaças de morte. "Você prende e imediatamente solta, esperando que as pessoas se apresentem anos depois à corte; mas o problema é que elas nunca voltam", afirmou Trump.

Nesta semana, o Departamento de Justiça propôs cotas de desempenho aos juízes de imigração, a fim de acelerar o andamento dos processos –evitando a permanência de imigrantes nos EUA.

Marcha

Entidades pró-imigrantes como a Associação Americana de Advogados de Imigração criticaram a medida e disseram que ela integra a "máquina de deportação".
Trump ainda criticou uma caravana de imigrantes que atravessam o México rumo aos EUA vindos da América Central. "É melhor que parem antes de chegar aqui", declarou o presidente, para quem os EUA têm sido "muito generosos" com países que enviam milhares à fronteira.

O republicano ainda ameaçou suspender a ajuda humanitária a Honduras e pressionou autoridades do México a conterem os imigrantes. Os grupos a que o presidente fazia referência são liderados pelo Pueblo sin Fronteras, que organiza caravanas anualmente a fim de chamar a atenção para a situação de violência que enfrenta a população da América Central.

Apenas 10% a 15% dos participantes pedem asilo nos EUA, afirmou o coordenador Irineo Mujica Arzate a The New York Times. A maior parte permanece no México.
O grupo de cerca de 1.200 pessoas viaja junto para se proteger de aliciadores e de outras violências, diz Arzate. Segundo autoridades do México 400 pessoas do grupo foram deportadas, mas o país "ofereceu abrigo e proteção nos casos cabíveis".

 

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