Trump: atos já provocam reações

Em seu 1º dia útil à frente da Casa Branca priorizou regras à deportação, suspendeu ajuda a ONGs pró-aborto e pôs fim à parceria Transpacífica

Presidente eleito determinou suspender ajuda às ONGs que atuam em favor do abortoPresidente eleito determinou suspender ajuda às ONGs que atuam em favor do aborto - Foto: NICHOLAS KAMM/AFP

 

A Casa Branca informou na última segunda-feira (23) que os imigrantes em situação irregular e que possuem antecedentes criminais serão prioridade nas políticas de deportação, como havia prometido durante a campanha o presidente Donald Trump.
“Pessoas que podem fazer mal ou tenham feito mal e têm antecedentes criminais são o centro das atenções”, disse o novo porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, para quem “na atualidade a prioridade está nas pessoas que fizeram mal ao nosso país”.

Spicer acrescentou que, no momento, a prioridade do governo está nos imigrantes “que ficaram no país após o vencimento de seus vistos ou que cometeram crimes. Mas avançaremos nisto de forma sistemática e metódica”.

Trump, disse o porta-voz, “deixou muito, muito claro que precisamos orientar as agências a se concentrar nos que estão ilegalmente no país e têm antecedentes criminais ou representam uma ameaça”. “No momento, a prioridade clara está aí”.

Ao ser questionado se Trump firmaria algum decreto contra a chamada “Ação Diferida para a Chegada de Jovens Imigrantes” (DACA, sigla em inglês), Spicer sugeriu que não deve haver novidades a este respeito.

A DACA foi adotada em 2012 pelo então presidente Barack Obama e permite regularizar a situação de imigrantes que chegam ilegalmente aos Estados Unidos como menores trazidos por seus pais.O mecanismo permitiu que mais de 740 mil regularizassem sua situação, mas os pais permanecem em situação irregular.

Durante sua campanha eleitoral, Trump prometeu tolerância zero com imigrantes em situação irregular, e disse que iria construir um muro na fronteira com o México.

Aborto
O presidente americano também assinou um decreto que impede o financiamento com recursos federais de ONGs estrangeiras que apoiam o aborto.

Trump adotou a medida no dia seguinte ao 44º aniversário da emblemática sentença da Suprema Corte sobre o caso “Roe V. Wade”, que legalizou o aborto em 1973 nos Estados Unidos, e dois dias depois de milhões de americanos terem se manifestado por seus direitos.

“As mulheres mais vulneráveis do mundo vão sofrer com essa política, que mina anos de esforços a favor da saúde das mulheres”, reagiu Cecile Richards, presidente da Planned Parenthood, a maior rede de planejamento familiar dos Estados Unidos.

“Isto vai provocar fechamentos de clínicas no mundo inteiro e um aumento das gestações indesejadas e de abortos perigosos”, advertiu, fazendo um apelo ao “combate”.

Conhecida também como “Mexico City Policy” por ter sido anunciada durante a presidência do republicano Ronald Reagan na conferência internacional das Nações Unidas sobre a população, celebrada na capital mexicana em 1984, a medida reimplantada por Donald Trump prevê que os recursos federais de ajuda internacional não possam ser atribuídos a ONGs estrangeiras que praticam o aborto ou militam por sua legalização.

A restrição havia sido anulada pelo democrata Bill Clinton (1993-2001), restituída pelo republicano George W. Bush (2001-2009) e novamente anulada por seu sucessor, Barack Obama (2009-2017).

 

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