Trump diz que EUA sofrem invasão na fronteira e que democratas ignoram o tema

Donald Trump quer dinheiro para construir um muro para barrar a entrada de imigrantes ilegais

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos da AméricaDonald Trump, presidente dos Estados Unidos da América - Foto: Jim Watson/AFP

Um dia após voltar da visita à fronteira com o México, o presidente Donald Trump chamou de invasão a situação no local e disse que a crise na divisa é mais grave do que a população acha.

Foi um sinal claro de que o republicano mantém uma posição que levará o governo a bater, neste sábado (12), o recorde de maior apagão da história americana, e de que prepara terreno para declarar emergência nacional para conseguir financiar a obra.

A fronteira com o México é o epicentro de um impasse envolvendo o presidente e democratas e que levou ao fechamento parcial do governo. Trump quer dinheiro para construir um muro para barrar a entrada de imigrantes ilegais. Os democratas se recusam a liberar os recursos.

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Enquanto isso, 25% da administração está paralisada, com 800 mil funcionários de licença ou sem receber e parques nacionais fechados, além de outros transtornos. O aeroporto internacional de Miami informou que, pelos próximos dias, terá que fechar um terminal mais cedo, resultado da ausência de agentes de segurança que estão sem receber pagamento.

A saída potencial para o presidente será declarar emergência nacional, com o que poderia passar por cima do Congresso e obter fundos para construir o muro.
Nesta sexta (11), Trump usou as redes sociais para indicar que se mantém inflexível em sua campanha pelo muro. Em mensagem, ele qualificou a situação na fronteira de "crise humanitária".

"Eu acabei de voltar [da fronteira] e é uma situação pior do que quase qualquer um entenderia, uma invasão", escreveu. "Eu estive lá várias vezes -os democratas chorões Chuck [Schumer, líder do partido no Senado] e Nancy [Pelosi, presidente da Câmara] não sabem quão ruim e perigosa é para nosso PAÍS INTEIRO..."

Na quinta (10), Trump esteve em McAllen (Texas), cidade que faz fronteira com o México. Lá, negou que a crise humanitária esteja sendo fabricada, como alegam os democratas. Ele ressaltou que a opção de declarar emergência continua sobre a mesa.

"Eu tenho a opção. Se isso [a negociação com os democratas] não funcionar, eu provavelmente farei isso, definitivamente", afirmou. No entanto, disse não estar pronto ainda para recorrer à alternativa e que prefere conversar com o Congresso.
"Eu gostaria de fazer o acordo pelo Congresso. Faz sentido fazer o acordo pelo Congresso... seria bom se nós fizéssemos um acordo, mas lidar com essas pessoas é ridículo", disse o presidente.

Na Casa Branca, algumas autoridades já começam a estudar a possibilidade de desviar dinheiro aplicado hoje na recuperação de enchentes ou incêndios em Porto Rico, Flórida, Texas e Califórnia para construir a barreira. Segundo o jornal The New York Times, eles estariam discutindo se poderiam fazer isso sem antes o presidente declarar emergência nacional.

Caso faça isso, será a 32ª emergência nacional em vigor no país -os temas incluem proliferação de armas de destruição em massa (1994) e os ataques do 11 de Setembro, por exemplo. O impasse com democratas ganhou fôlego a partir do último dia 3, quando o partido assumiu o controle da Câmara dos Deputados e aprovou duas medidas que buscavam reabrir o governo, mas sem dinheiro para o muro.

O presidente se recusa a assinar qualquer lei que não contemple verba para a obra. Os democratas rejeitam aprovar qualquer lei que tenha essa provisão. Sem o dinheiro para o muro, o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, se recusou a colocar as propostas para votação.

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