Trump e seu governo enfrentam nova polêmica por declarações sobre Rússia

"Nunca houve presidente mais firme com a Rússia do que eu tenho sido", disse Trump a jornalistas na Casa Branca, enquanto não consegue apaziguar as críticas

Trump já havia chamado a ex-assessora de deliquenteTrump já havia chamado a ex-assessora de deliquente - Foto: Nicholas Kamm/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assegurou nesta quarta-feira (18) que ninguém é mais "firme" do que ele com a Rússia, mas gerou uma nova polêmica com uma confusa declaração sobre as supostas tentativas de Moscou de continuar interferindo no processo político local.

"Nunca houve presidente mais firme com a Rússia do que eu tenho sido", disse Trump a jornalistas na Casa Branca, enquanto não consegue apaziguar as críticas generalizadas por suas contraditórias declarações sobre as relações com o Kremlin.

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Ao ser perguntado por jornalistas se a Rússia ainda busca interferir no processo político dos Estados Unidos, como teria feito nas eleições de 2016, Trump se limitou a dizer "não", mas sem dar mais detalhes.

Essa posição contradiz, entretanto, a avaliação do chefe de Inteligência dos EUA, Dan Coats, que disse na segunda-feira que a interferência da Rússia no país está "em andamento".

Depois, Trump assegurou em entrevista concedida ao canal de televisão CBS que no diálogo com o presidente russo, Vladimir Putin, "ele foi muito firme no fato de que não pode haver ingerência".

Antes, a porta-voz da Casa Branca Sarah Sanders garantiu que quando Trump disse "não", na verdade, estava se referindo ao fato de que não queria responder perguntas. "O presidente disse 'muito obrigado', e disse 'não' para responder mais perguntas", explicou Sanders.

A porta-voz declarou que Washington estava tomando as medidas necessárias para que essa suposta interferência russa não ocorra, mas admitiu que "são passos dados porque há ali uma ameaça".

Idas e vindas
Essa é a segunda vez em três dias que o governo precisou corrigir ou esclarecer uma declaração do presidente sobre a Rússia, após uma confusa entrevista coletiva realizada na segunda-feira na Finlândia com Putin.

Nessa coletiva, Trump surpreendeu o mundo ao afirmar publicamente que não via razões para a Rússia ter interferido nas eleições de 2016, apesar da conclusão contrária dos órgãos de Inteligência.

Em meio à consternação nacional provocada por essa declaração, na terça-feira Trump disse que havia se "expressado mal" e que, na realidade, quis dizer que não havia razões para que a Rússia não tenha interferido nas eleições americanas.

"Aceito a conclusão de nossa comunidade de Inteligência de que a ingerência da Rússia nas eleições de 2016 ocorreu", disse o presidente a jornalistas.

Apesar dessa declaração, que parecia colocá-lo em sintonia com os órgãos de Inteligência, Trump voltou a gerar confusão ao acrescentar que a ingerência "pode ter sido de outras pessoas, também. Há muita gente por aí". A afirmação voltou, assim, a questionar a veracidade da conclusão dos trabalhos da Inteligência americana.

Três dias antes da cúpula entre Trump e Putin, o Departamento de Justiça dos EUA havia acusado formalmente 12 cidadãos russos que teriam instrumentalizado a ingerência por meio das redes sociais e pelo roubo de e-mails.

Além disso, no final de semana, uma jovem russa de 29 anos, Maria Boutina, foi detida e acusada de atuar irregularmente como "agente" da Rússia para infiltrar-se no "aparato político" americano.

Polêmica persistente
Na semana passada, o influente diretor nacional de Inteligência, Dan Coates, disse durante uma entrevista coletiva em Washington que a Rússia estava envolvida em um esforço "constante e amplo" para "minar nossa democracia".

Nesta quarta, a grande polêmica, que desde segunda-feira tem deixado Trump exposto a pesadas críticas de aliados e adversários, ainda parecia longe de ser dissipada.

O influente senador conservador Lindsey Graham disse à imprensa que o presidente precisa esclarecer de forma definitiva a discrepância entre ele e os responsáveis pelas agências de Inteligência.

O senador democrata Robert Menéndez lembrou, ainda, que os diretores de todas as agências de Inteligência foram escolhidos e nomeados por Trump, o que torna a explicação dessa discrepância ainda mais necessária.

Nesta quarta, parlamentares democratas pressionaram o Congresso americano a intimar a tradutora de Donald Trump que o acompanhou na negociação a portas fechadas de duas horas com Putin na segunda-feira.

Os democratas dizem que a mulher que traduziu para Trump - e as notas que ela provavelmente tomou durante a reunião - poderiam fornecer informações críticas sobre o que aconteceu.

Além da convicção dos órgãos de espionagem sobre a ingerência da Rússia nas eleições de 2016, o procurador especial apontado pelo Departamento de Justiça investiga se houve conluio com o comitê de campanha de Trump.

A investigação parece estar atormentando a Casa Branca, que não consegue superar essa crise de forma definitiva.

Como se fosse pouco, Trump acirrou ainda mais os ânimos e as críticas após as polêmicas declarações em que classificou Montenegro de "país muito pequeno" cujos habitantes são "muito agressivos", aparentemente questionando o princípio de defesa mútua dentro da Otan.

A declaração foi criticada inclusive por republicanos, que alegam que o presidente segue o jogo de Putin.

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