ESTADOS UNIDOS

"Trump não é ideológico, é pragmático’, diz Obama

Obama pedirá ao republica­no que não ponha em risco o status migratório dos estrangeiros que foram levados ilegalmente para os Estados Unidos

Câmara de OlindaCâmara de Olinda - Foto: Reprodução do Google

 

WASHINGTON (AFP) - O presidente americano, Barack Obama, admitiu ontem ainda ter preocupações sobre seu sucessor, Donald Trump, mas disse se sentir reconfortado com o fato de o republicano parecer mais pragmático do que ideológico.
“Eu não acho que ele seja ideológico. Acho que ele é pragmático”, disse Obama a jornalistas em sua primeira co­letiva desde a eleição do republicano para lhe suceder na Casa Branca. “E isto pode lhe servir bem, uma vez que ele tenha boas pessoas à sua volta e um senso claro de direção”, prosseguiu. “Se eu te­nho preocupações? É claro que tenho. Ele e eu divergimos em muitos assuntos. Mas o governo federal e nossa democracia não são como uma lancha de velocidade, são como um navio de cruzeiro”, reconheceu.
Obama pedirá ao republica­no que não ponha em risco o status migratório dos estrangeiros que foram levados ilegalmente para os Estados Unidos quando ainda eram crianças. Nesse sentido, “urgirá” Trump a “pensar longa e seriamente antes de pôr em perigo o status” desses imigrantes, os quais considera co­mo sendo americanos - “para todos os efeitos práticos” - e que estão protegidos da deportação por seu programa DACA (“Ação Diferida para a Chegada de Jovens Imigrantes”, em português).
O presidente democrata também acredita em que será difícil para Trump conseguir desmantelar o acordo nuclear com o Irã, ou os tratados para combater a mudança climática. “Fica mais difícil desfazer algo que está funcionando”, alegou Oba­ma na coletiva, explicando que, como presidente, “você é responsável pelo acordo e por evitar que o Irã adquira armas nucleares”.
No caso do Irã, afirmou, “não é apenas um acordo en­tre nós e os iranianos. É com o Grupo 5+1. Alguns são aliados próximos”, o que significa que romper os acordos terá um custo político enorme. Antecipando um balanço de seu governo, Barack Oba­ma lamentou não ter conseguido fechar a “maldita” prisão instalada na base naval de Guantánamo, em Cuba, mas destacou que reduziu drasticamente o número de detentos.

 

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