Trump promete erradicar o terrorismo islâmico da face da Terra

"A partir deste dia, uma nova visão governará nossa pátria. A partir deste dia, os Estados Unidos vêm em primeiro lugar", declarou no discurso de posse

Donald Trump discursa na posse da presidência dos EUADonald Trump discursa na posse da presidência dos EUA - Foto: AFP

O presidente americano, Donald Trump, colocou o combate contra o extremismo islâmico no centro de sua política externa em seu discurso de posse nesta sexta-feira (20), em Washington, prometendo trabalhar com os aliados dos Estados Unidos para destruir a ameaça jihadista.

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"Vamos reforçar antigas alianças e formar novas, [vamos] unir o mundo civilizado contra o terrorismo islâmico, o qual vamos erradicar completamente da face da Terra", declarou.

Recém-empossado, Trump prometeu, em seu discurso inaugural, que todas as decisões de Washington serão orientadas por uma visão que priorize os Estados Unidos.

"A partir deste dia, uma nova visão governará nossa pátria. A partir deste dia, os Estados Unidos vêm em primeiro lugar", declarou.

"Juntos, vamos fazer os Estados Unidos fortes de novo. Vamos tornar os Estados Unidos ricos de novo. Vamos fazer os Estados Unidos orgulhosos de novo. Vamos deixar os Estados Unidos seguros de novo. E sim, juntos, vamos tornar os Estados Unidos grandes de novo", disse Trump, ao encerrar seu discurso.

"Vamos enfrentar desafios. Vamos enfrentar adversidades, mas vamos fazer o trabalho", disse.

"Hoje, não estamos apenas transferindo poder de uma administração para outra ou de um partido para outro. Estamos transferindo o poder de Washington, DC, e devolvendo-o para vocês, o povo", prometeu.

Trump também se queixou das indústrias estrangeiras que saíram do país deixando milhões de desempregados, "Uma por uma, as indústrias se fecharam e partiram daqui sem nem mesmo pensar nos milhões e milhões de trabalhadores americanos que estavam deixando para trás." .

A interação com outros países também foi criticada no discurso inaugural, "Nós fizemos outros países ricos enquanto a riqueza, força e confiança no nosso país foi dissipada no horizonte." argumentou Trump.

"A riqueza da nossa classe média foi retirada de suas casas e distribuída pelo mundo. Mas isso foi no passado, e agora estamos olhando para o futuro” , declarou o novo presidente americano
Em seu discurso de posse, afirmou que nunca vai decepcionar seus concidadãos por terem-no conduzido à Casa Branca, e que o país "vai triunfar como nunca antes".

"Vou lutar por vocês com cada suspiro, e nunca, nunca vou decepcioná-los. Os Estados Unidos vão voltar a triunfar; vão triunfar como nunca antes", disse.

"Obrigado. Deus os abençoe e Deus abençoe a América!", concluiu.

Saída de helicóptero

Na cerimônia, celebrada nas escadarias em frente ao Capitólio, sede do Congresso americano, também prestou juramento o novo vice-presidente, Mike Pence.

Ex-presidente dos EUA, Barack Obama, deixou o Capitólio de helicóptero.
De manhã, Obama pediu ideias sobre o que fazer na aposentadoria.

Tuístes


O ex-astro televisivo sem nenhuma experiência política, que quer administrar a primeira potência mundial como se fosse uma empresa, criar novos empregos e tornar o país mais protecionista e mais fechado aos imigrantes, sucederá na Casa Branca o democrata Barack Obama.

"Tudo começa hoje", tuitou nesta sexta-feira pela manhã o magnata imobiliário nova-iorquino, a poucas horas de sua posse. "Verei vocês às 11h00 para o juramento. O MOVIMENTO CONTINUA - O TRABALHO COMEÇA!", afirmou no Twitter.

Incidentes violentos

A capital do país foi tomada por dezenas de milhares de simpatizantes e opositores de Trump.

Um dos muitos protestos contra o futuro presidente, no centro de Washington, registrou incidentes: dezenas de manifestantes, muitos vestidos de preto e encapuzados, atiraram pedras e quebraram a vitrine de uma cafeteria Starbucks, e foram dispersados pela polícia com bombas de gás lacrimogênio, constataram jornalistas da AFP.

A vitória de Trump, que deixou o planeta atônito, está ancorada sobretudo nos votos de uma classe trabalhadora branca que desconfia dos políticos tradicionais e que sente que a globalização a prejudicou, transferindo empregos do México à China.

Os aliados tradicionais dos Estados Unidos observam o magnata imobiliário nova-iorquino com inquietação: após uma campanha divisiva, o republicano Trump, de 70 anos, chega à Casa Branca com a menor popularidade de um novo presidente em quatro décadas.

Depois do serviço religioso na pequena igreja episcopal de Saint John, perto da Casa Branca, Trump e Trump e sua terceira esposa, Melania, uma ex-modelo de 46 anos nascida na Eslovênia, chegaram à Casa Branca na manhã desta sexta-feira.

Obama e sua esposa Michelle os aguardavam de pé na porta, ela com um elegante vestido vermelho longo. Melania, de vestido azul Ralph Lauren ao estilo de Jackie Kennedy, entregou um presente a eles.

Os dois casais presidenciais tomaram um chá na Casa Branca e posteriormente percorreram juntos em uma limousine os 4 km da avenida Pensilvânia até o Capitólio.

"Agora teremos fronteiras fortes, e isso criará mais empregos. Agora os Estados Unidos voltarão a ser grandes, a ser fortes. Apenas um outsider como Trump pode limpar o desastre que é Washington", disse à AFP um de seus eleitores, Michael Hippolito, um policial aposentado de 54 anos, vestido com roupa camuflada que viajou de Nova York para a posse.

Três ex-presidentes também acompanharam a posse: Jimmy Carter, George W. Bush e Bill Clinton.

A esposa de Bill, Hillary, que perdeu para Trump a chance de se tornar a primeira mulher presidente dos Estados Unidos, também esteve presente.

Em Moscou, o presidente russo, Vladimir Putin, não assistiu ao vivo à posse de Trump, afirmou seu porta-voz, rejeitando a ideia de que o novo chefe de Estado americano seja o homem de Moscou em Washington.

Trump promete unificar o polarizado eleitorado, mas isto se contradiz com seus constantes ataques a opositores, geralmente pelo Twitter: da imprensa à atriz Meryl Streep ou ao herói dos direitos civis John Lewis, das agências de inteligência à chanceler alemã Angela Merkel ou à Europa.

Do front diplomático surgem as maiores dúvidas. Os líderes do planeta se perguntam sobre como interpretar suas declarações, desmentidas muitas vezes por seus futuros ministros.

México, castigado

O gabinete de Trump é o mais branco e o mais rico em décadas. Inclui apenas um negro e, pela primeira vez em quase 30 anos, nenhum hispânico, o que lhe valeu fortes críticas da primeira minoria do país, com mais de 55 milhões de pessoas (17% da população).

A ausência de hispânicos no gabinete não é surpreendente para um presidente que promete deportar entre dois e três milhões de imigrantes ilegais, construir um muro na fronteira com o México e cobrá-lo dos mexicanos talvez através de impostos às remessas de imigrantes.

E também quer renegociar ou eliminar o TLCAN, o acordo de livre comércio com México e Canadá, assim como o Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica (do qual são signatários Chile, México e Peru, entre outros), medidas que, junto à perda de investimentos, podem arrastar o vizinho do sul dos Estados Unidos a uma recessão em 2017.

Trump também pode voltar atrás na aproximação com Havana impulsionada por Obama e tudo indica que será mais agressivo com a Venezuela.

A partir de segunda-feira, seu primeiro dia oficial de trabalho na Casa Branca, espera-se que Trump assine vários decretos que desmantelarão medidas adotadas por Obama, por exemplo em cobertura de saúde pública, e talvez em imigração.

"As coisas vão mudar", afirmou Trump na quinta-feira.

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