Trump vai à Grã-Bretanha visitar família real e primeira-ministra às vésperas de renúncia

Reino Unido busca um sucessor para Theresa May e se questiona sobre a melhor forma de implementar o Brexit

Da última vez em que esteve no Reino Unido, milhares de pessoas foram às ruas em rejeição à presença do norte-americanoDa última vez em que esteve no Reino Unido, milhares de pessoas foram às ruas em rejeição à presença do norte-americano - Foto: Brendan Smialowski/AFP

Pouco depois de voltar de sua viagem ao Japão, onde se reuniu com o novo imperador Naruhito, Donald Trump viaja no domingo para o Reino Unido, onde será recebido pela rainha Elizabeth II, no âmbito de uma visita que promete ser agitada.

O presidente americano, que nunca escondeu seu gosto pelas honrarias e tapetes vermelhos, vai chegar a Londres em um contexto no qual o Reino Unido busca um sucessor para a primeira-ministra Theresa May e se questiona sobre a melhor forma de implementar o Brexit.

Sua viagem anterior ao Reino Unido, em julho do ano passado, que levou milhares de pessoas às ruas em rejeição à sua presença, foi especialmente caótica, pautada por uma entrevista surpreendente que deu na véspera ao jornal The Sun na qual criticava May sem rodeios.

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A visita de três dias começará na segunda-feira com uma cerimônia no Palácio de Buckingham seguida de um almoço com a rainha e, depois, à noite, por um banquete oficial. A grande questão é qual será o tom adotado pelo magnata.

Trump pode se envolver no debate sobre o próximo chefe de Governo britânico, ou até aconselhar seus anfitriões sobre a saída da União Europeia. "Acho que o presidente espera mais ansiosamente por suas interações com a família real", opina Heather Conley, do Center for Strategic and International Studies.

No verão (hemisfério norte) de 2018, Trump tomou chá com Elizabeth II no castelo de Windsor, mas não recebeu a pompa característica das visitas de Estado. Antes mesmo de o presidente pisar em solo britânico, já há manifestações marcadas e a polêmica teve início.

O líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, se recusou a participar do jantar de Estado para o qual havia sido convidado, julgando inoportuno que se estenda o tapete vermelho para um presidente "que denuncia tratados internacionais vitais, respalda os negadores das mudanças climáticas e usa retórica racista e misógina".

Boris Johnson seria 'excelente'
Na terça-feira, a visita ganha um tom mais político, com uma reunião privada com Theresa May, poucos dias antes de ela deixar o cargo de primeira-ministra, em 7 de junho.

Embora May tenha sido a primeira dirigente estrangeira a ser recebida na Casa Branca após a vitória de Trump nas eleições de 2016, a relação entre os dois foi marcada por diversas tensões.

"Quando se examina a relação Washington-Londres, se vê que está repleta de discordâncias", afirma Heather Conley, citando a discrepância no tratado nuclear com o Irã, que Londres defende e Washington abandonou.

O Acordo de Paris sobre o clima, que os Estados Unidos também abandonaram por decisão de Trump também está na lista. Neste âmbito, o encontro do americano com o príncipe Charles, conhecido como defensor do meio ambiente, será observado com atenção.

A relação com a China - sobretudo no delicado assunto da gigante de telecomunicações Huawei - também deve estar na pauta, bem como o projeto de acordo comercial bilateral EUA-Grã-Bretanha.

Antes de atravessar o Atlântico, Trump reforçou sua proximidade com Boris Johnson, defensor fervoroso do Brexit e favorito na corrida pela sucessão de May.

"Boris faria um ótimo trabalho. Acredito que seria excelente", disse Trump em entrevista ao jornal britânico The Sun. "Sempre gostei dele. Não sei se vai ser eleito, mas acredito que é um ótimo cara, uma pessoa muito talentosa".

A visita terminará com uma cerimônia em Portsmouth (sul) pelo 75º aniversário do desembarque das forças aliadas durante a Segunda Guerra Mundial, na presença da rainha.

Donald e Melania Trump passarão rapidamente pela Irlanda antes de viajar para a Normandia, onde participarão das comemorações organizadas pela França pelo Dia D.

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