Turquia prende 12 parlamentares pró-curdos e tem ataque com carro-bomba

Explosão de um carro-bomba matou oito pessoas e feriu outras cem nesta sexta-feira (4) em Diyarbakir

Tribunal de Contas de PernambucoTribunal de Contas de Pernambuco - Foto: TCE-PE

Horas depois de as autoridades da Turquia deterem 12 parlamentares pró-curdos, a explosão de um carro-bomba matou oito pessoas e feriu outras cem nesta sexta-feira (4) em Diyarbakir, maior cidade de maioria curda no sudeste do país.

O atentado foi provocado com um micro-ônibus equipado com explosivos e aconteceu próximo à sede da polícia para onde os legisladores detidos haviam sido levados. O gabinete do governo de Siyabakir disse que o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão, considerado uma organização terrorista pelas autoridades curdas) reivindicou a autoria do ataque.

Durante a madrugada, a polícia turca prendeu 12 parlamentares da sigla pró-curda HDP (Partido Democrático dos Povos) que haviam se recusado a depôr sobre acusações de associação com o terrorismo. Dentre os legisladores detidos estão os colíderes do partido, Selahattin Demirtas e Figen Yusekdag. Além disso, o HDP diz que a sede do partido na capital, Ancara, foi vasculhada pela polícia.

Após as prisões dos legisladores, o acesso a redes sociais como Twitter e Whatsapp foi bloqueado na Turquia, segundo o grupo de monitoramento da internet Turkey Blocks. Bloqueios temporários de determinados sites são frequentes no país.

A chefe de política externa da União Europeia, Federica Mogherini, disse estar "extremamente preocupada" com a detenção dos parlamentares do HDP e disse ter convocado uma reunião entre os embaixadores de países-membros do bloco europeu em Ancara para discutir o assunto.

O governo da Alemanha exigiu a soltura dos legisladores pró-curdos e convocou o embaixador turco em Berlim para esclarecimentos.

As detenções ocorrem em meio à escalada na repressão contra dissidentes e a um estado de emergência implementado em julho, após uma tentativa frustrada de golpe militar contra o presidente Recep Tayyip Erdogan.

Atualmente, promotores turcos investigam mais de 50 dos 59 parlamentares da bancada do HDP, segunda maior sigla opositora do país. O governo diz que o HDP mantém relações com os militantes armados do PKK, mas a sigla nega a acusação.

A prisão dos parlamentares do HDP e o atentado em Diyarbakir marcam a retomada das tensões entre o governo turco e a minoria étnica curda. Há três décadas, o PKK mantém uma insurgência no sudeste do país.

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