UE afirma que Constituinte não pode ser parte da solução na Venezuela

Brasil, Colômbia, Argentina, Peru, Panamá, México, entre outros países, anunciaram que não reconhecerão os resultados das eleições realizadas no último domingo

Venezuelanos votam em plebiscito convocado pela oposição contra reformas na Constituição propostas pelo presidente Nicolás MaduroVenezuelanos votam em plebiscito convocado pela oposição contra reformas na Constituição propostas pelo presidente Nicolás Maduro - Foto: EPA/Miguel Gutiérrez/EFE

A Assembleia Constituinte eleita na Venezuela "não pode ser parte da solução", declarou nesta segunda-feira (30) a União Europeia (UE), que condenou o "desproporcional" uso da força por parte das forças de segurança durante o dia de votação. A informação é da Agência EFE.

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"Uma Assembleia Constituinte, eleita em condições duvidosas e com frequentes circunstâncias violentoas não pode ser parte da solução. Aumentou a divisão e deslegitimará mais as instituições eleitas democraticamente na Venezuela", disse em um comunicado um porta-voz do Serviço de Ação Exterior da UE.

O serviço dirigido pela alta representante para Política Exterior da UE, Federica Mogherini, reforçou que "a Venezuela tem instituições legítimas e eleitas democraticamente cujo papel é trabalhar juntas e encontrar uma solução negociada à atual crise."

"O presidente e o governo têm uma responsabilidade especial para restaurar o espírito da Constituição e restabelecer a confiança perdida pela sua tentativa de estabelecer instituições paralelas divisórias", acrescentou o comunicado.

Por sua parte, a Comissão Europeia "tem grandes dúvidas sobre se o resultado das eleições pode ser reconhecido", disse a porta-voz do Executivo comunitário, Mina Andreeva, na coletiva de imprensa diária da instituição.

Brasil, Colômbia, Argentina, Peru, Panamá, México, Costa Rica e Paraguai, entre outros países, anunciaram que não reconhecerão os resultados das eleições realizadas no último domingo (30) para configurar a Assembleia Constituinte destinada a redigir uma nova Carta Magna para a Venezuela, um processo impulsionado pelo governo chavista e rejeitado pela oposição.

A União Europeia lamentou também a "violência e agitação" e condenou "o uso excessivo e desproporcional da força por parte das forças de segurança" em uma jornada de votação na qual morreram dez pessoas, segundo a versão oficial venezuelana.

"O governo da Venezuela tem a responsabilidade de garantir o respeito ao Estado de Direito e aos direitos fundamentais, como a liberdade de expressão e o direito a manifestar-se pacificamente", destacou o porta-voz do Serviço de Ação Exterior da UE.

Por sua parte, o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, assegurou que a instituição não reconhecerá a Assembleia Constituinte e considerou que "a comunidade internacional não pode continuar calada frente a tantos mortos na Venezuela".

"Está muito claro que o regime atual está se aferrando ao poder. A vontade do povo é mudar de regime. Por isso é necessário fazer eleições já", salientou.

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