Um ano que valeu por uma década

Aleppo ou pelo impeachment de Dilma Rousseff, estes foram os momentos que marcaram o ano de 2016.

Governador Paulo Câmara (PSB) Governador Paulo Câmara (PSB)  - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

 

Da vitória de Donald Trump à morte de Fidel Castro, passando pelo Brexit, pela crise migratória, pela tragédia de Aleppo ou pelo impeachment de Dilma Rousseff, estes foram os momentos que marcaram o ano de 2016.

O terremoto Trump
No dia 8 de novembro, o multimilionário Donald Trump, um empresário de 70 anos populista e sem experiência política, foi eleito presidente dos Estados Unidos, derrotando a democrata Hillary Clinton. Em outros lugares do mundo, 2016 esteve marcado pela ascensão do populismo, da Ásia, onde o filipino Rodrigo Duterte venceu as eleições após uma campanha sem rodeios, à Europa, onde os partidos nacionalistas e de extrema-direita avançaram.

Brexit
No dia 23 de junho, os britânicos se pronunciaram mediante um referendo a favor de uma saída da União Europeia. O então primeiro-ministro conservador, David Cameron, renunciou e foi substituído por Theresa May. Ela prometeu ativar antes do fim de março o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que marcará o início de um período de dois anos para negociar a ruptura.

Cerco aos migrantes
A partir de fevereiro, foi fechada a “rota dos Bálcãs” percorrida em 2015 pelos migrantes que iam da Grécia à Alemanha. Em março, a UE e a Turquia concluíram um controverso acordo que prevê devolver a este último país todos os migrantes que chegaram à Grécia. Embora o fluxo migratório através das ilhas gregas tenha diminuído consideravelmente, a maior parte dos migrantes passa agora pela Itália. Ao menos 4.740 morreram ou desapareceram no Mediterrâneo em 2016. Na França, “A Selva” de Calais, onde se acumularam aspirantes a emigrar ao Reino Unido, foi desmantelada no fim de outubro após a evacuação de seus 7.000 habitantes.

Destruição em Aleppo
As forças armadas sírias reconquistaram em 22 de dezembro a metade de Aleppo, que não controlavam desde julho de 2012, após uma devastadora ofensiva de um mês que culminou na retirada de dezenas de milhares de habitantes e insurgentes das regiões rebeldes do norte do país. Apesar de o Ocidente ter denunciado “crimes de guerra” e criticado a “obstrução da Rússia”, aliada de Bashar al-Assad, continuou assistindo impotente ao martírio da segunda cidade da Síria. Em 29 de dezembro, o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou um acordo de cessar-fogo entre o governo e a oposição armada e o lançamento das negociações de paz com a Turquia e o Irã. A guerra deixou 310 mil mortos desde março de 2011.

Terrorismo global
Apesar dos revezes em Síria, Iraque e Líbia, o grupo extremista Estado Islâmico (EI) reivindica ou inspira muitos ataques no mundo. Vários países ocidentais, incluindo França (86 mortos em Nice), Estados Unidos (49 mortos em Orlando), Bélgica (32 mortos em Bruxelas) e Alemanha foram atingidos por sangrentos atentados. A Turquia também sofreu com uma onda de atentados atribuídos ao EI ou aos curdos, que deixaram dezenas de mortos. A África Ocidental também sofre atentados, lançados principalmente pela Al-Qaeda em Burkina Faso e Costa do Marfim.

Golpe na Turquia
Na madrugada de 16 de julho, uma parte das Forças Armadas tentou depor o presidente Recep Tayyip Erdogan. O fracasso do golpe, atribuído ao pregador Fetullah Gullen, radicado nos Estados Unidos, permitiu ao presidente consolidar seu poder. Cerca de 41 mil pessoas foram detidas e mais de 100.000 destituídas ou suspensas. O regime também multiplicou as detenções entre os curdos.

América Latina
Depois da Argentina em 2015, o Brasil colocou fim a 13 anos de governos de esquerda, após os escândalos de corrupção que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff e sua substituição pelo vice, Michel Temer. O Peru também se somou aos ventos de mudança elegendo um liberal de centro-direita, Pedro Pablo Kuczynski. Na Venezuela, que atravessa uma grave crise econômica e política, o presidente Nicolás Maduro enfrenta uma forte oposição e manifestações nas ruas.

Morte de Fidel Castro
No dia 26 de novembro, Fidel Castro, pai da Revolução cubana e última grande figura do comunismo internacional, morreu aos 90 anos, depois de ter desafiado 11 presidentes americanos.

 

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