'Um muro é um muro!': Trump não aceita usar o termo 'barreira'

O presidente mexicano López Obrador se esquivou dos tuítes do norte-americano e ironizou 'Eu respeito', em alusão a frase de ex-técnico dos Pumas

Uma seção mais antiga da parede da fronteira que separa os Estados Unidos e o México termina em uma ravinaUma seção mais antiga da parede da fronteira que separa os Estados Unidos e o México termina em uma ravina - Foto: Scott Olson/Getty Images North America/AFP

Muro de concreto? Barreira de aço? Donald Trump voltou com sua retórica em relação a seu projeto emblemático, em um momento em que as negociações em busca de um compromisso orçamentário recomeçam no Congresso.

Há várias semanas, alguns legisladores republicanos, e o próprio Trump aproveitando a circunstância, falam de "barreira" ao longo da fronteira com o México, na esperança de o plano soar mais aceitável aos olhos dos democratas e evitar um novo "shutdown".

Na manhã desta quinta-feira (31), no entanto, o presidente americano estimou que isso não ajudava em nada. "Vamos chamá-lo de muro e vamos parar de jogos políticos!", tuitou como se estivesse se dirigindo aos seus próprios conselheiros. "Um MURO é um MURO!", acrescentou, enfatizando sua mensagem com letras maiúsculas.



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Em uma sequência de tuítes, o presidente também estimou que os legisladores republicanos estavam perdendo tempo negociando: "Os democratas (...) não desbloquearam dinheiro para construir o muro que precisamos desesperadamente".

"O muro será feito de uma forma ou de outra!", prometeu. "Serão enviadas mais tropas à fronteira sul para frear a tentativa de invasão de ilegais... Com um muro será muuito (sic) mais fácil e mais barato", ameaçou.

Horas depois, a presidente democrata da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, respondeu enfaticamente e assegurou que "não haverá dinheiro para nenhum muro na legislação".

Por sua vez, o presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador se esquivou de responder aos tuítes de Trump sobre a violência no México e o muro fronteiriço.

López Obrador, que costuma atacar cotidianamente governos anteriores ou o modelo neoliberal, desta vez se esquivou do debate. "Eu respeito. Os mais velhos, os que têm mais idade, se lembram. Havia um técnico, o 'Bora', que dizia 'respeito, eu respeito'. Assim agimos em alguns casos", declarou, ironicamente.

"Bora" foi técnico dos Pumas e da seleção mexicana e cunhou a frase "eu respeito" para evitar cair em polêmicas junto à imprensa esportiva e os torcedores.

De acordo com um relatório divulgado na segunda-feira pelo Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) americano, a paralisação parcial do governo, que durou mais de um mês, fez encolher o PIB em 11 bilhões de dólares, quase o dobro do que Trump precisa para construir seu projeto de muro.

O relatório indica, no entanto, que grande parte deste montante será compensado pela reativação das operações do governo e as perdas serão de apenas 3 bilhões, o equivalente a 0,02% do PIB no saldo final.

A paralisação orçamentária, que foi a mais longa da história dos Estados Unidos, afetou cerca de 800.000 funcionários públicos, que tiveram de trabalhar sem remuneração, ou que saíram de licença sem remuneração.

Trump acabou cedendo aos democratas, ao aceitar o financiamento temporário dos serviços federais, mas isso não encerrou a crise, porque só financiamento garantido até 15 de fevereiro.

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