Uma eleição como a França nunca viu

Com participação maciça, que beirou os 70%, corrida ao Palácio do Eliseu vai para o segundo turno testando forças políticas direitistas

Le Pen e MacronLe Pen e Macron - Foto: AFP

Apesar da ameaça de atentados extremistas que pairava sobre estas eleições, os franceses não se amedrontaram e compareceram em massa às urnas, no ultimo domingo (24). A participação beirou os 70% dos 47 milhões de eleitores habilitados no primeiro turno, uma das votações mais altas dos últimos 40 anos. O candidato centrista Emmanuel Macron, e a candidata da extrema direita, Marine Le Pen, vão disputar o segundo turno, em 7 de maio.

A vitória de Macron e Le Pen será um golpe aos tradicionais Partido Socialista, atualmente no governo, e Republicanos (centro-direita), do ex-presidente Nicolas Sarkozy. Rejeitados nas urnas, eles agora abrem espaço para testar outras forças políticas. Algo nunca visto na França em mais de 60 anos.

Estas eleições francesas são um dos pleitos mais importantes do ano no cenário global e terão um efeito decisivo no futuro da Europa. Macron e Le Pen divergem em um assunto fundamental: a União Europeia. Ele defende mais integração, mas ela quer um referendo para deixar o bloco econômico, a exemplo do “brexit” do Reino Unido.

A apuração das primeiras urnas mostra Le Pen ligeiramente à frente de Macron, mas os dois seguem qualificados para disputar o desempate. Com 34% das urnas apuradas, até o fechamento desta edição, a ultradireitista aparece com 24,6% dos votos, enquanto Macron tem 21,6%.

A contagem inicial se concentra majoritariamente nas urnas do interior da França, mais conservador, enquanto os votos dos grandes centros urbanos, que tendem a ser mais liberais, são contados posteriormente. Pela contagem oficial, o candidato da centro-direita François Fillon aparece com 19,7% dos votos, seguido pelo nome da extrema esquerda Jean-Luc Mélenchon com 18,4%.

O resultado abre uma etapa de discussão da identidade francesa. O cenário da disputa entre Macron e Le Pen no segundo turno será provavelmente vencido pelo candidato centrista, ex-ministro da Economia - nunca antes eleito a cargo público. Ele receberá 61% dos votos contra 39%, afirma o instituto Ipsos.

A reta final da campanha foi abalada na semana passada por um atentado na emblemática avenida Champs Elysées de Paris e pela descoberta de um atentado iminente, em um país traumatizado por uma onda de ataques extremistas que deixaram mais de 230 mortos desde 2015. O tiroteio deixou um policial morto e foi reivindicado pela organização terrorista Estado Islâmico. Apesar de sem provas, o atentado pode contribuir à campanha de Le Pen, com aversão a ambos a migração e ao islã.

Neste clima de tensão máxima, as autoridades não pouparam em segurança para a votação, com o envio de mais de 50 mil policiais, e 7 mil militares. Estas eleições são cruciais em um país com uma economia golpeada pelo desemprego e sem crescimento desde a crise de 2008. Cerca 31% dos eleitores não sabiam, às vésperas, em quem votar - desiludidos com o governo socialista e escândalos de corrupção no partido conservador. Enfraquecido por impopularidade recorde, o atual presidente François Hollande - no poder até 14 de maio - renunciou de concorrer novamente.

Cerca de 300 manifestantes, ditos “antifascistas”, confrontaram a polícia em Paris, na praça da Bastilha, que foi interditada. Três pessoas foram presas.

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