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Músicos nordestinos ressignificam a tradição junina

Artistas ousam reinventar ritmos tradicionais e trazer diferenciais contemporâneos para cultura que os marca

Forró Red LightForró Red Light - Foto: Divulgação

Conhecidos pela fama de bairristas, os pernambucanos, apegados às suas raízes, valorizam demais as tradições. Na época junina é certo que o Estado será tomado pelo milho, xadrez, bandeirinhas, fogueiras e, principalmente, forró. Para os mais apegados este é o momento de fortalecer as origens, no entanto, têm nordestinos que ousam reinventar esses ritmos e trazer um diferencial contemporâneo para a cultura que os marca.

Lançado durante o mês junino de 2019 o single "Ribuliço", de Potyguara Bardo e o DJ Omulu, carrega a mistura do arrastado do forró com a música pop e funk carioca. A cantora, natural do Rio Grande Norte, marca a letra da música com elementos comuns à cultura nordestina, gerando uma rápida identificação por parte do público do Nordeste - que a recebe em Recife, na próxima sexta-feira (28), no evento NO PORN, em Brasília Teimosa, Zona Sul.



Nesse sentido, Geninho Nacanoa, integrante do Forró Red Light, reitera que "o forró é universal". Radicado em Brasília, mas de família nordestina, o músico observa como o gênero tem se espalhado por todo Brasil através da cultura que os nordestinos carregam por onde andam, como quem segue os trechos cantados por Chico Science, "carrego por onde for o peso do meu som lotando minha bagagem".

Lembrando do mestre da mistura cultural recifense, Geninho ressalta a importância de levar a cultura local para outros lugares, "parecia que na época de Chico ele já tinha tomado o território todo, mas na renovação do que ele ensinou tem muita gente que ainda está redescobrindo essa arte nordestina". Por esse motivo, o músico brasiliense, juntamente com o piauiense Ramiro Galas, resolveu levar os ritmos do forró, baião, xote, coco e frevo para as experiências de festivais de música eletrônica, misturando as batidas ao vivo.

"A gente queria criar uma coisa diferente, mas fomos trazendo nossas referências - como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Genival Lacerda, Zé Ramalho - para ter um pouco dessa identificação com o público, para todo mundo saber dançar e cantar junto, que é uma base do forró”, explica Geninho.



Preocupados também com a identificação do público e com a valorização das tradições locais, o projeto musical "Radiola Serra Alta", de Triunfo, Sertão do Pajeú, traz a inovação do "eletrococo muderno", misturando elementos da música eletrônica com ritmos do Nordeste e com a vivência na Zona Rural.

Composto por Jéssica Caitano e a dupla de figuras folclóricas e centenárias das ladeiras de Triunfo, a veinha e o careta - performados, respectivamente, pelos músicos Cristiano Montalvão e PH Moraes -, o Radiola Serra Alta vê em suas músicas uma forma de preservar a cultura do Pajeú, que também é a deles.



Para Jéssica Caitano, tudo que ela escreve tem uma memória da sua vida na Zona Rural, história e reverência às suas ancestrais. "Às vezes Cristiano bota uma zoada de um batida de uma enxada no meio da música e isso, automaticamente, me leva a uma lembrança da infância e aí as músicas vão sendo montadas, é bem natural", revela a cantora, que acredita que a verdade da experiência é a melhor forma de transmitir a mensagem para outras pessoas.

Semelhante a outros grupos, a construção musical do Radiola Serra Alta se dá através de vasta pesquisa e escuta das histórias tradicionais, prezando pela identificação do ouvinte com a mensagem que está sendo passada. "Eu acho massa as nossas músicas tocarem na rádio local porque estamos falando de uma vivência de um trabalhador rural que não tem contato com mídias digitais, então ele está ouvindo a rádio no sítio e está tendo um contato com a vivência dele, que estou cantando. É uma troca e um respeito que a gente procura manter", revela Jéssica.

De acordo com a cantora, não há dificuldade alguma em unir a tradição com os elementos mais modernos, se o trabalho for feito com amor e verdade. A falta de reconhecimento, diz ela, é o que atrapalha. "Quando a gente fala 'Nordeste' as pessoas já imaginam fome e seca, quando a gente fala 'sertão' parece que é muito pior. O que a gente quer fazer é mostrar que existem várias outras possibilidades para nós aqui”.

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