Mutilação peniana pode ser evitada

O câncer de pênis está relacionado em grande parte à má higienização. Água e sabão podem prevenir

TJPETJPE - Foto: Divulgação

 

Câncer de pênis e mutilação são um binômio. Isso porque esse tipo de tumor é tratado quase sempre com a amputação de parte do membro. Nos casos mais graves, o homem pode perder completamente o órgão ficando, assim, sem a função sexual. Essa neoplasia, apesar de assustadora, pode ser evitada de formas simples.

Como a doença está relacionada em grande parte à má higienização, água e sabão podem eliminar o fantasma do câncer. Outra medida preventiva é a vacinação contra o HPV, vírus que, além do câncer de colo de útero nas mulheres, pode levar a tumores no pênis.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que essa neoplasia é rara, representando 2% de todos os tipos de cânceres que atingem os homens, principalmente no Norte e Nordeste do Brasil, onde historicamente estão condições socioeconômicas mais desfavoráveis.

“É uma doença muito comum em regiões onde o nível socioeconômico e educacional é baixo. Os pacientes em geral têm fimose, o que provoca a má higiene do membro. Ou não o lavam corretamente. O grande problema desse câncer é que ele é extremamente mutilante ou fatal. No paciente que tem um tumor agressivo a mortalidade chega a 100%”, comentou o urologista do Hospital de Câncer, André Maciel.

O médico explicou que a doença começa pela ponta do órgão (glande) e pode progredir até a pélvis. É importante estar atento a sinais de alerta e buscar ajuda de um serviço de saúde rápido.

“Um caroço, um ferimento ou úlcera que não cicatriza e vai aumentando. Ou quando o paciente sente um caroço ao apalpar a pele do prepúcio”, explica o médico sobre os indícios do tumor.

Se o tratamento for precoce, se faz uma cirurgia para a retirada da parte afetada e o paciente fica curado. Contudo, à medida que a neoplasia avança a mutilação peniana vai aumentar. “Haverá uma mutilação de qualquer forma. Com a perda de 1/3 do pênis o homem ainda consegue manter a função sexual, mas se chegar a 2/3 do membro se perde a atividade sexual e a capacidade de ereção”, alertou o urologista.

 E não há previsão para uma reconstrução do pênis amputado. A neoplasia é mais comum em pacientes a partir dos 50 anos, mas pode acometer qualquer faixa etária, exceto na infância.

HPV
Estudos científicos também indicam a associação entre infecção pelo vírus HPV (papilomavírus humano) e o câncer de pênis. A pesquisa internacional Human Papillomavirus Infection in Men (HIM) que avaliou a presença do vírus em homens do Brasil, Estados Unidos e México, apontou que no País a prevalência de qualquer infecção por HPV era a maior.

 Por aqui, esse indice foi de 72,3% dos homens investigados contra 61,3% nos Estados Unidos e 61,9% no México. Os tipos de HPV mais frequentemente encontrados no Brasil foram HPV16 (com grande potencial oncogênico) e o HPV62 (sem potencial para o câncer).

“O mecanismo do vírus no homem é semelhante no da mulher. Alguns tipos de HPV têm ação onconegica. Eles alteram a estrutura celular e favorecem o surgimento de células neoplasicas. Muitos pacientes tem associado o câncer de pênis à presença de HPV”, comentou André Maciel.

Apesar dos riscos do vírus, não é rotina serem pedidos testagens para o patógeno entre o público masculino. O oncologista da Sequipe, Eriberto Júnior, reforçou que a vacinação contra o HPV é uma aposta de prevenção ao câncer de pênis. Ele comemorou o fato de o Ministério da Saúde ter instituído a vacinação gratuita contra o vírus para os meninos a partir do ano que vem.

Os meninos de 12 e 13 anos constituem o público-alvo. O Brasil será o primeiro país da América Latina e o sétimo do mundo a oferecer a imunização para esse público em programas nacionais. “É uma ação importante porque é a partir dessa idade é que os meninos vão começar a ter contato com o HPV. Vacinados, eles não vão transmitir os subtipos que têm maior tendência a causar cânceres e dessa forma tenta-se diminuir e prevenir uma doença que pode ter sequelas muito grandes”, argumentou.

O médico destacou ainda que a imunização além de prevenir o câncer de pênis, traz grandes impactos na redução de incidência do colo de útero da mulher, uma vez que a transmissão sexual do vírus é um dos principais fatores para esta neoplasia feminina.

 A vacinação contra os tipos oncogênicos também protege contra outros tumores em que o vírus pode se instalar durante relações sexuais como câncer de cabeça e pescoço, câncer anal, vaginal e de vulva.

 

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