Mutirão atende crianças com microcefalia no Recife

Pela terceira vez, projeto Sorriso Especial oferece tratamento odontológico

Ana Cláudia Urquiza lembra que clínicas geridas pela PCR também prestam o atendimentoAna Cláudia Urquiza lembra que clínicas geridas pela PCR também prestam o atendimento - Foto: Rafael Furtado

Mutirão realizado nesta terça-feira (25) em uma universidade particular do Recife oferece atendimento odontológico gratuito para crianças com microcefalia. Em Pernambuco, de 2015 até este mês, foram confirmados 411 casos de síndrome congênita do zika vírus. O projeto, chamado Sorriso Especial, está em sua terceira edição. Nele são oferecidos aos bebês com microcefalia exames clínicos e radiográficos e aplicações tópicas de flúor, além da continuidade no atendimento com a realização de exames clínicos, avaliação da cavidade bucal e o crescimento e desenvolvimento dos bebês.

Também são dadas instruções aos responsáveis pelas crianças, que receberão um reforço sobre a prevenção de doenças bucais. A pequena Vitória, de 1 ano e 6 meses de idade, tem apenas seis dentes e será levada pela primeira vez ao atendimento odontológico por meio do mutirão.

A mãe, Amanda Bárbara, está bastante animada e já sabe o quanto o atendimento ajudará no cuidado com a filha. “Vão me ensinar como cuidar certinho dela para que no futuro ela não tenha nenhum problema pior, para que ela possa comer melhor, já que não tem a arcada dentária completa”, afirma.

O atendimento odontológico deve acontecer por fases, de acordo com o ciclo biológico, sendo acompanhado desde o surgimento dos dentes, a fim de evitar maiores problemas.

“A intenção do mutirão é chamar desde cedo para que a gente consiga tratar crianças que ainda nem têm dentinho erupcionado na boca, dando toda uma orientação às mães, com relação à higiene bucal, aos riscos associados a hábitos bucais nutritivos e não nutritivos”, explica a responsável pela Clínica Odontológica de Atenção à Criança e Adolescente da universidade, Ana Carolina Leitão.
Normalmente os problemas com crianças especiais surgem desde cedo, mas só começam a receber tratamento quando estão no estado crítico. “Como regra, crianças especiais procuram o tratamento odontológico muitas vezes quando já têm vários problemas na boca: fungo, infecções virais, dor de dente, problemas periodontais”, conta a odontopediatra.
O atendimento no mutirão é gratuito e realizado das 8h às 11h e das 13h às 16h. Para participar basta comparecer à clínica-escola, localizada na rua Joaquim Nabuco, sem número, no Bairro das Graças (prédio do Impostômetro). Não é necessário haver participado de alguma edição anterior.
Atendimento municipal
A Prefeitura da Cidade do Recife (PCR) também realiza atendimento a crianças com microcefalia em suas clínicas especializadas em odontologia. Ao todo, são oito clínicas com especialidade em odontologia. Dessas, seis atendem a crianças com necessidades especiais.

A coordenadora do Centro Especializado de Odontologia Clementino Fraga, Ana Cláudia Urquiza, explica como conseguir um atendimento por meio das clínicas municipais, especialmente para os pequenos: “Normalmente as crianças vêm encaminhadas das unidades básicas. Mas, pacientes especiais, com microcefalia, bastam apenas agendar o atendimento. Não tem dificuldade nenhuma”.

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