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Na ONU, Macron, Erdogan e Putin criticam sanções defendidas por Trump

No sábado (19), o governo de Donald Trump anunciou a volta de um conjunto de sanções ao Irã que haviam sido retiradas com o acordo nuclear de 2015

Presidente russo, Vladimir PutinPresidente russo, Vladimir Putin - Foto: Alexey Nikolsky / SPUTNIK / AFP

O presidente francês, Emmanuel Macron, usou seu discurso na Assembleia Geral da ONU para deixar claro que França, Alemanha e Reino Unido discordam das ações recentes dos Estados Unidos em relação ao Irã.

Em seus discursos, os presidentes Recep Erdogan (Turquia) e Vladimir Putin (Rússia) foram na mesma linha: defenderam o cumprimento do acordo nuclear de 2015, o uso da lei internacional para resolver os problemas e criticaram o uso de sanções.

No sábado (19), o governo de Donald Trump anunciou a volta de um conjunto de sanções ao Irã que haviam sido retiradas com o acordo nuclear de 2015. A decisão é considerada vazia, pois os Estados Unidos saíram deste acordo em 2018, e os outros países que seguem no tratado defendem manter a suspensão das punições ao Irã.

"A França, com seus aliados alemães e britânicos, manterá sua demanda pela implementação total e plena do acordo de Viena de 2015", disse Macron à ONU.

"[Retomar as sanções] seria um atentado contra a unidade do Conselho de Segurança, contra a integridade de suas decisões e significaria o risco de agravar ainda mais as tensões na região", prosseguiu.

As sanções da ONU são estabelecidas e retiradas pelo Conselho de Segurança. Atualmente, 13 de seus 15 membros defendem manter a suspensão dos bloqueios, que impedem outras empresas e governos de fazer negócios com iranianos.

O governo Trump, porém, prometeu consequências a qualquer Estado membro da entidade que não respeitar as sanções. A ameaça é significativa: Washington promete negar acesso ao sistema financeiro e ao mercado americano caso alguém as desobedeça.

"A estratégia de pressão máxima [de Trump] não permitiu acabar com as atividades desestabilizadoras do Irã, nem garantir que o país não será capaz de se munir de uma arma nuclear", acrescentou Macron.

Recep Erdogan, presidente da Turquia, também se posicionou a favor do acordo de 2015. "Nós defendemos a resolução de problemas referentes ao programa nuclear do Irã levando o direito internacional em consideração e através do diálogo e da diplomacia", disse o lider turco.

"Eu reafirmo nosso chamado para todas as partes a manter suas responsabilidades dentro do Plano de Ação [de 2015], que provê sérias contribuições para a segurança global', afirmou Erdogan.

Nesta terça, Trump e Macron tiveram uma conversa telefônica para tratar da crise entre a Turquia e a Grécia, que disputam uma área do mar Mediterrâneo onde são feitas buscas por reservas de gás natural.

Grécia e Turquia concordaram nesta terça em retomar conversas diretas sobre a questão, após quatro anos de afastamento. A data para isso, no entanto, não foi informada.

O presidente russo, Vladimir Putin, fez outra crítica às sanções. "Em geral, liberar o comércio mundial de barreiras, vetos, restrições e sanções ilegítimas seria de grande ajuda para fortalecer o crescimento global e reduzir o desemprego", disse, em seu discurso para a ONU.

Em sua fala, Putin também enalteceu o projeto da vacina russa contra o coronavirus, e disse estar aberto a cooperação internacional sobre o tema.

"Estamos dispostos a compartilhar nossa experiência e a continuar interagindo com todos os Estados e as estruturas internacionais, incluindo a provisão para outros países da vacina russa, que tem provado a sua confiabilidade, sua segurança e eficácia", disse Putin.

Putin garantiu que em breve irá celebrar uma "conferência online de alto nível com a participação de todos os países interessados na cooperação para o desenvolvimento de uma vacina contra o coronavírus".

A Rússia anunciou em agosto que havia desenvolvido o que seria a primeira vacina contra a Covid-19, batizada de Sputnik V. No entanto, houve ceticismo na comunidade científica internacional, pois inicialmente poucos detalhes sobre essa pesquisa foram compartilhadas.

Segundo o governo russo, mais de 20 países já solicitaram a vacina, em um total de 1 bilhão de doses.

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