Na Semana Mundial do Espaço, a atenção se volta para o observatório de Olinda

Pouco conhecido pela maioria da população, o cometa Olinda foi o primeiro a ser descoberto na América do Sul

Estás Me Matando Susana Estás Me Matando Susana  - Foto: Divulgação

 

Em 1860, a vista do Alto da Sé, em Olinda, era bem diferente do que a que se aprecia hoje. No horizonte, construções baixas em vez de prédios. Mais acima, estrelas. Muitas delas. Sem a iluminação atual das grandes cidades, elas se sobressaíam. E a Sé era escolhida para a observação dos astros. Era exatamente onde o francês Emmanuel Liais estava quando fez a primeira descoberta de cometa da América Latina. O Cometa Olinda, como fica conhecido pelos poucos que ouvem a historieta, foi uma das evidências das vantagens do local para a astronomia e a consequente construção do atual observatório, 30 anos depois. Na Semana Mundial do Espaço, o cometa é lembra­do pelos monitores do espaço.

Na época, a descoberta foi registrada em uma revista britânica ainda hoje em circulação, a Royal Astronomical Society. Com magnitude 6,5, poderia quase ser visto a olho nu. Mas ele não vai rasgar os céus pernambucanos novamente. Ao menos, tão cedo. “O Cometa Olinda é de uma órbita parabólica. Esse tipo vem muito longe, surge da uma nuvem de partículas chamada Oort, para muito além de Plutão. Uma distância de cerca de um ano luz do sol. Isso significa que uma volta ao redor do sol pode demorar milhares de anos”, explicou o coordenador do Museu de Astronomia e Ciências Afins do Rio de Janeiro, Eugênio Reis Neto.

Segundo Eugênio, a posição do observatório é privilegiada em relação às porções mais ao sul do País. “Por estarem mais perto da Linha do Equador, observadores em Pernambuco podem ver algumas constelações mais baixas do hemisfério norte”, explicou. Do Observatório é possível também ver as várias chuvas de meteoros e os asteróides anualmente frequentes. “Um cometa é uma sobra do sistema solar, uma pedra pequena de alguns quilômetros de diâmetro com uma cauda de gelo e muita poeira. A tendência é ele virar um asteróide - uma rocha sem gelo -, porque, ao chegar próximo do sol, o gelo passa por um processo de sublimação e vira gás. O rastro da poeira, contudo, compõe as famosas chuvas de meteoro, que são, inclusive, bastante frequentes para quem está atento.” Desde quinta até hoje elas podem ser vistas. Depois, a probabilidade maior de observá-las será no dia 21.

Depois do cometa, o Alto da Sé ainda passou por outra experiência astronômica importante. Em 1882, foi possível medir a distância entre a terra e o sol por meio do “trânsito de Vênus”. É quando o planeta passa diante do sol. “Depois, isso ainda ocorreu novamente, com o observatório já pronto”, explicou o coordenador do observatório,
João Pedro Lima. De terça-feira a domingo, entre 16h e 20h, ele recebe turistas e curiosos na cúpula do equipamento, ou mesmo na calçada, para mostrar o céu através de telescópios potentes. São visíveis Saturno com seus anéis, Netuno, Marte. Esse último, considerado o menos interessante pelos que frequentam o observatório. “É só uma bola vermelha”, avaliou o astrônomo entusiasta Walter Figueiredo, 19. “A Lua é diferente.

Dependendo da lente utilizada podemos ver todos os detalhes. Do Sol, vemos as manchas solares. Pontos negros onde a temperatura está baixa.” No próximo domingo, o Observatório estará aberto para a apreciação de mais uma superlua.

 

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