Não é só ler, é interpretar

Veja dicas de Português e Literatura para os feras que estão se preparando para o Enem

Espetáculo "Zodíaco"Espetáculo "Zodíaco" - Foto: Reprodução/Gabriele Rocha

Neste domingo, a matéria do projeto Folha Educa, uma parceria do Colégio Marista São Luís com a Folha de Pernambuco, traz dicas para os feras que estão se preparando para o Enem sobre o conteúdo que será cobrado no exame. No próximo domingo será a vez de Inglês e Espanhol. Confira todas as matérias da série e videoaulas no Portal FolhaPE.  

“O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê. É preciso transver o mundo” diz o poeta vanguardista Manoel de Barros, cuja obra tem aparecido nas últimas provas do Enem. Se a fama do exame é ter muita leitura antes das questões, saber interpretar o texto - ou transver o mundo - é essencial. Para o professor de Literatura do Colégio Marista São Luís, Daniel Bandeira, é preciso que os candidatos estejam com os olhos treinados para interpretar não apenas textos literários, mas tirinhas, charges, fotografias e artes visuais.

Como não há uma lista de livros obrigatórios para ler, a prioridade é estudar a estética modernista. “Tem que ver o modernismo, no século 20, até a literatura contemporânea, como Adélia Prado, Mário Quintana, Manoel de Barros, Ariano Suassuna”, diz o professor. A interdisciplinaridade é outro elemento essencial para decifrar o exame, como notou a estudante Dandara Santana, de 18 anos. “Tento ler sobre assuntos mais voltados para geopolítica, economia, fazendo o diálogo entre disciplinas”, conta.

O professor chama atenção para a relação entre obras clássicas da literatura regional e a crise migratória recente. “Toda migração é marcada por dor, mesmo quando a mudança é por uma escolha própria. Se é difícil abrir mão de algumas coisas por opção, imagine num contexto de refugiado, com os conflitos, a miséria, a fome”, explica.

É aí que o estudante pode fazer as ligações com o retirante da seca no Ceará, em O Quinze, de Rachel de Queiroz; a seca no Nordeste, com Vidas Secas, de Graciliano Ramos; a trajetória que o Severino retirante faz saindo da Serra da Costela até o litoral no Recife, em Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto. Todos os personagens, o professor pontua, vêm alimentando a dor e sofrimento. “A literatura é uma leitura de mundo. Quando falamos de Vidas Secas, secas pelo embrutecimento, pela luta pela sobrevivência constante, falamos do ser humano. A literatura capta essa essência”.

Leitura de mundo, não apenas das palavras, é o cerne da prova de linguagens. A prova é essencialmente interpretativa e muitos dos textos trabalham com as nuances do humor. “Qualquer gênero de humor não pode ser trabalhado apenas no aspecto linguístico, ele precisar ser trabalhado em cima da análise ideológica. Todo gênero vai remeter a uma reflexão, uma nova leitura social. Se a gente perceber que atrás do humor existe um preconceito disfarçado, aquela piada não é só uma piada”, aponta Mônica Soares, professora de Português do São Luís.

Para interpretar um texto de humor, é preciso identificar os recursos usados pelo produtor do texto para desencadear o riso. As chaves linguísticas (entre elas o duplo sentido) são as geradoras da quebra de expectativa que causam o humor. A estudante Lara Cunha Lima, 17, se prepara para a prova de linguagens lendo quadrinhos de Mafalda. Quer cursar Relações Internacionais em Brasília. “É bom você estar ligado em jornais e revistas pelo Mundo”, opina.

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