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Não existe desculpa para deixar de cuidar da saúde

É possível encontrar um exercício ideal entre os vários compromissos diários de uma vida, por mais corrida que ela seja

CaminhadaCaminhada - Foto: Léo Malafaia/Folha de Pernambuco

Em todo o mundo, 20% dos adultos e 80% dos adolescentes não praticam exercícios físicos com frequência e intensidade adequadas para sua faixa etária, aponta a Organização Mundial da Saúde (OMS). Um desafio e tanto nos tempos modernos, visto que rotinas cada vez mais conectadas virtualmente têm deixado as pessoas sedentárias.

“Uma pessoa que trabalha o dia todo sentada em uma cadeira, por exemplo, tem o que chamamos de comportamento sedentário. É preciso identificar onde dentro de suas rotinas as pessoas possam se movimentar, como levantar para ir beber água, ao banheiro, ou dar uma volta a cada 20 minutos”, explica o professor de educação física da Universidade Federal de Pernambuco Eduardo Zapaterra Campos.

Muito mais que uma questão de saúde, o sedentarismo tem seus próprios custos – e são altos. A OMS afirma que, no mundo, a inatividade física custa 54 bilhões de dólares em assistência médica direta, dos quais 57% ficam a cargo do setor público. “Estudos comprovam a relação direta entre o sedentarismo e o agravamento de doenças crônicas graves”, continua Zapaterra.

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Doenças como hipertensão arterial, diabetes, cânceres e doenças respiratórias despontam nessa lista. “Se movimentar evita o desenvolvimento dessas doenças, além de trazer mais fôlego, já que as pessoas ganham certo desempenho e não sentem mais tanto cansaço diante de algum esforço. Tem a perda de gordura, ganho de massa muscular, melhora do sono, é bom para a mente. Enfim, vários ganhos”, destaca o professor.



A OMS recomenda que crianças e adolescentes de cinco a 17 anos pratiquem pelo menos 60 minutos diários de atividade física, de moderada a intensa. Pelo menos três vezes na semana, os exercícios devem incluir atividades que fortaleçam os músculos e os ossos. Entre os adultos, a prática de atividade física moderada deve chegar a pelo menos 150 minutos ao longo da semana. Caso a pessoa prefira atividades intensas, a duração cai para pelo menos 75 minutos semanais.

“A dica é encontrar algo que você goste de fazer, não o que as pessoas falam que é o melhor para o corpo. Porque você gostando dessa prática, é mais fácil manter a continuidade”, sugere Zapaterra. “E pode começar abandonando o carro para ir à padaria, dar preferência por subir e descer escadas, ir pedalando ou andando ao trabalho. Encaixar na rotina algo que agrade.”

Ana Maria Meira, de 26 anos, era acostumada a praticar esportes quando mais nova. Aos poucos, diante da rotina, as práticas foram diminuindo até que ela abandonou de vez. “Eu gostava de jogar bola. E de repente eu não estava fazendo mais nada e isso estava me deixando com preguiça e sem fôlego. Eu me afastei mesmo dos esportes e quando eu ia fazer algo, me sentia sem disposição”, conta.

“E aí eu resolvi colocar na minha rotina alguma prática. Eu vou ao trabalho andando. São 4 quilômetros, que faço entre 50 minutos ou uma hora, a depender da velocidade que eu ando”, conta.

Ela e a namorada fazem isso pelo menos três vezes na semana. “Eu moro no bairro das Graças e trabalho em Casa Forte. Coloco meu tênis e levo uma roupa na mochila. Foi assim que eu comecei a me sentir mais disposta, com vontade de me exercitar mais”, conta. “E as melhoras são bem perceptíveis. Eu durmo melhor, tenho mais disposição, respiro melhor. São muitos ganhos.”

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