rio de janeiro

"Nascemos de novo", diz mãe de gêmeas resgatadas de carro durante enchente no RJ

Enfermeira Berlandia Coutinho foi retirada de veículo pelo auxiliar Marcos Vinícius; após ser salva com bebês, veículo foi levado pela correnteza

Jovem salva família que estava em carro na enchenteJovem salva família que estava em carro na enchente - Foto: Reprodução

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A enfermeira Berlandia Coutinho, de 45 anos, seguiu a rotina nesta quarta-feira: saiu do trabalho, avisou ao marido que estava na Estação de Metrô da Pavuna e foi à creche para buscar as filhas gêmeas, Beatriz e Brenda, de 1 ano e 7 meses. Um temporal mudou o caminho e a sua vida.

Berlandia chegou atrasada à unidade escolar, por volta das 19h, duas horas após o horário normal. Ao entrar no carro, colocou as filha nas cadeirinhas e seguiu pela Via Light, em Nova Iguaçu, rumo ao bairro Jardim Alvorada. Para fugir das ruas alagadas pela forte chuva, ligou para pedir orientação ao marido, Jorge Leandro Dias. Seguindo as recomendações, ela parou o carro na Rua Ministro Lafaiete de Andrade. Para seu desespero, o carro enguiçou e a água começou a subir.

"O carro parou. Não queria andar. A água estava subindo, e o desespero batendo. Meu marido ficou comigo no telefone o tempo todo. No desespero, abri a porta do carro e pedi ajuda. Naquele momento, a água começou a entrar. Fui para o banco de trás e tirei minhas filhas da cadeirinha. O Marcos veio, segurou o carro com o pé, e pediu para eu sair do veículo com elas" narrou a enfermeira.

Berlandia contou que passou quase duas horas no ônibus. E que, assim que pegou as bolsas das meninas, estava preocupada em ter comida para as meninas, pois não fazia ideia sobre a que horas o resgate chegaria.

"Eu não dormi. Passei a noite acordada. Cheguei em casa às 3h. Minhas filhas apagaram de exaustas depois de tanto chorar. Elas não entendem o que aconteceu, mas sentem o estresse da situação. Sou grata ao Marcos por ter salvado nossas vidas. Ele foi um anjo enviado por Deus. Nascemos de novo."

A enfermeira relatou ainda que não costuma se atrasar para pegar as filhas na creche. Na quarta-feira, chegou a ver no noticiário que o tempo estaria instável, com possibilidade de chuva. Casada há 15 anos e morando em Nova Iguaçu desde a infância, ela lamenta que o alagamento não tenha sido uma situação isolada.

"Aqui sempre alaga. Minha casa não molhou muito, mas soube que o Marco perdeu quase tudo. É uma pena. Essa triste realidade faz parte do cotidiano de quem mora aqui. Infelizmente. Graças a Deus estou viva, com as minhas filhas, para contar essa história que poderia ter um final diferente. Estou aliviada" comemorou ela.

Já o marido de Berlandia chorou ao lembrar dos momentos de angústia:

"Minha família é tudo para mim. Meus amigos me ajudaram a ter forças para chegar até elas. Ainda bem que elas estão aqui, vivas. Foi um livramento grande. Agora a vida continua."

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