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Nível crítico nas barragens do Estado faz Compesa mudar calendário de abastecimento de água na RMR

Sistema Tapacurá abastece 25% da Região Metropolitana do RecifeSistema Tapacurá abastece 25% da Região Metropolitana do Recife - Foto: Divulgação/Compesa

A Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) anunciou, nesta sexta-feira (22), uma reformulação no calendário de abastecimento de água no Estado. A implementação e até mesmo a ampliação do rodízio em alguns municípios, que passa a vigorar de forma gradual a partir da próxima segunda-feira (25), é consequência de um período chuvoso abaixo do esperado na faixa leste, onde está localizada a Região Metropolitana do Recife (RMR).

De acordo com a diretora de regulação e monitoramento da Agência Pernambucana de Águas e Climas (Apac), Crystianne Rosal, a previsão para o primeiro trimestre de 2021, que aponta um volume de chuvas abaixo da média em todo o Estado, mas principalmente na RMR e na Mata Sul, também influenciou na decisão de mudança do calendário. "As previsões feitas para o primeiro trimestre de 2021 apontam que a precipitação será abaixo da média em todo o estado de Pernambuco", disse Crystianne. 

Por conta disso, a Compesa precisou adequar o calendário de abastecimento para preservar os níveis dos mananciais da RMR, que atingiram os índices mais baixos dos últimos dez anos. A Barragem Botafogo, localizada no município de Igarassu e que abastece Olinda, Paulista, Igarassu e Abreu e Lima, está com 5,98% da capacidade. Já a barragem Varzea Una, que atende o município de São Lourenço da Mata está com 5,21% da capacidade e já deixou de ser operada momentaneamente para não esgotar. As barragens de Tapacurá e Duas Unas estão com 30,41% e 16,14% da capacidade, respectivamente. E a Barragem Gurjaú/Sicupema, no Cabo de Santo Agostinho, está com 38,84%, e o microclima da nucleação sul, local onde o sistema está localizado, é mais favorável à pluviosidade.

Novo calendário de rodízio

Com o novo calendário, os municípios de Olinda, Paulista, Abreu e Lima e Igarassu, que antes enfrentavam um rodízio de um dia com água e quatro dias sem, agora ficam no esquema de um dia com água e sete dias sem. 

No Recife, os bairros de Linha do Tiro, Beberibe, Alto Santa Terezinha, Água Fria, Bomba do Hemetério, Alto do Deodato, Alto José Bonifácio, Alto do Pascoal, Fundão, Porto da Madeira, Cajueiro, Hipódromo, Encruzilhada, Torreão, Campina do Barreto, Arruda e parte dos bairros do Espinheiro, da Jaqueira, da Tamarineira, do Rosarinho, do Parnamirim e dos Aflitos, que antes tinham um abastecimento diário, passam a enfrentar o rodízio no esquema de um dia com água e dois dias sem.

Ainda no Recife, os bairros de Engenho do Meio, Cidade Universitária, Várzea, Cordeiro, Caxangá, Jardim Petrópolis, Loteamento Novo Caxangá, Iputinga, Nova Morada, Vila Felicidade, Monteiro, Apipucos, Jaqueira, Dois Irmãos, Macaxeira, Casa Amarela, Casa Forte, Poço da Panela, Santana, Alto Santa Isabel, Mangabeira, Alto do Mandu, San Martin, Jiquiá, Vietnã e parte dos bairros da Tamarineira, do Rosarinho, do Parnamirim, dos Aflitos, da Torre, do Zumbi e do Prado, que tinham um abastecimento diário, entra no esquema de rodízio de um dia com água e cinco dias sem.

Os bairros que também passam a fazer parte do rodízio  de um dia com água e um dia sem água, são Mustardinha, Ilha do Leite, Madalena, Graças, Coelhos, Paissandu, Boa Vista, Santo Amaro, Recife Antigo, Tacaruna, Vila Santa Luzia e parte dos bairros do Prado, da Torre, do Espinheiro, dos Aflitos e do Zumbi. Jordão Alto e Jordão Baixo entram no esquema de rodízio de 12 horas com água e 72 horas sem, e os bairros do Ibura de Baixo e UR3 ficam com um dia de abastecimento e dois dias sem água.

Alguns bairros de Jaboatão, como Engenho Velho, Santo Aleixo, Fazenda Suassuna, Centro, Bela Vista, Alto da Fábrica, Alto do Raposo, Multifabril, Vila Piedade, Lote 23, Vila Natal, Artur Xavier, 21 de Abril, Hermes de Fonseca, Bom Sucesso, Carlos Pinto, Nossa Senhora dos Prazeres, Alto do Vento, Marechal Rondon, Quitandinha, Alto Santa Rosa e Vila Rica, saem do modelo de um dia com água e 15 dias sem e passam a ficar um dia com água para 20 dias sem.

No Cabo de Santo Agostinho, os bairros de Garapu, Cohab, Vilas Sociais, Pista Preta, Vila Pirapama ficam com um dia de água para um dia sem. Alto do Cruzeiro e Charnequinha ficam com 16 horas de abastecimento e 24 horas sem água.  E os bairros de Cidade Jardim, Pontezinha, Ponte dos Carvalhos, Itapuama e Paiva ficam com 16 horas de abastecimento para 36 horas sem. Já a cidade de Camaragibe ficará no rodízio de um dia com água e 15 dias sem; São Lourenço terá um dia com água para 10 dias sem; e Moreno terá dois dias com água para nove dias sem. Os ajustes de calendário serão implantados de forma gradual a partir de 25/01/21

Próximos investimentos e obras da Compesa

Presidente da Compesa, Manuela Marinho anunciou uma série de ações e investimentos que serão realizados a fim de minimizar os impactos do rodízio na população e aumentar a capacidade de produção. “Diante da previsão da Apac e do nosso monitoramento contínuo dos mananciais, a Compesa intensificou os investimentos em ações para dar suporte aos sistemas de abastecimento da RMR. Desde o ano passado, planejamos investimentos a curto, médio e longo prazo para esse período, e, de imediato, estamos investindo cerca de R$ 20 milhões em ações para ampliar a oferta de água e para trazer mais segurança hídrica aos sistemas”, assegurou Manuela.

De forma imediata, haverá a implantação de 21 poços, sendo cinco em Igarassu, quatro no Paulista, três em Olinda e dois no Recife. Juntos, eles terão vazão total de 378 litros por segundo. Também serão reativados 14 poços, sendo um em Goiana, cinco em Igarassu, dois em Abreu e Lima e seis no Recife, que permitirão, ao todo, vazão total de 175 litros por segundo. Os 35 poços, entre reativados e perfurados, beneficiarão cerca de 320 mil habitantes, segundo Marinho.

Para investimento a curto prazo, ou seja, de ações realizadas no decorrer de 2021, serão liberados 179,2 milhões de reais, que serão aplicados na implantação de novas redes (R$ 138,6 milhões), no aumento da produção (R$ 20,2 milhões) e em melhorias operacionais (R$ 20,4 milhões). No primeiro semestre do ano, ainda está prevista a aquisição de equipamentos para melhorar a performance das captações de Castelo, Tiúma, Duas Unas, Cumbe, Arataca, Conga, Tabatinga e Monjope e para as estações elevatórias Paratibe e Monjope/Alto do Céu. Também haverá reforço de carros-pipa.

A Compesa seguirá acompanhando os níveis dos mananciais da RMR para assegurar que eles cheguem na quadra chuvosa em condições favoráveis de recuperação. Nesse período, a Companhia conta com a colaboração da população para o uso racional de água com pequenas atitudes para evitar o desperdício que podem ser tomadas diariamente. Com relação aos ajustes no abastecimento de cada município, a Compesa disponibiliza os calendários em seus diversos canais de atendimento. 

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