No 41º desfile do Galo, a multidão está nos camarotes

Maior bloco do Carnaval do mundo continua atraindo milhões de foliões, mas espaços pagos para ver a festa são os mais disputados

Concentração já tinha frevo em frente à sede do GaloConcentração já tinha frevo em frente à sede do Galo - Foto: Rafael Furtado/ Folha de Pernambuco

Ruas cheias e camarotes lotados, muito calor e muito lucro são algumas observações que podem ser registradas sobre 41° desfile do Galo da Madrugada, que neste Carnaval homenageou o jornalista Francisco José. O desfile saiu pontualmente às 9h sob sol escaldante, que não deu vez para a chuva que ameaçou aparecer. Com mais abadás de camarotes que fantasias pelas ruas, pode-se dizer que o Galo atrai multidão, mas, nem tanto, a arrasta.

Em alguns pontos da rua Imperial, de um lado, espaços vazios; do outro, camarotes absolutamente lotados com ventiladores e vaporizadores que tentavam dar conta do calor. Tarefa árdua para quem se espremia em espaços limitados onde era difícil assistir ao desfile (isso, quando o camarote estava próximo ao percurso; alguns foram montados fora da rota).

Nos 40 anos do bloco - com seu, novamente, controverso Galo da ponte -, o desfile seguiu seu papel de tradição, colocando todos os frevos na rua e dando espaço para outros ritmos democraticamente encaixados nos repertórios dos trios. O puxado pelo Maestro Forró trouxe a raiz do Carnaval pernambucano, além de versões para Pabllo Vittar e Tim Maia em bons frevos. 

Entre os artistas que puxaram trios, além de Forró e sua Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, a homenageada do Carnaval 2018, a cantora Nena Queiroga, o também cantor Gustavo Travassos e Almir Rouche.

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Nos trechos percorridos pela reportagem, poucas brigas na multidão (uma, na rua da Aurora, já perto do fim do desfile), apenas uma prestação de socorro feita pelo Corpo de Bombeiros e uma ação da Polícia Militar que impediu (inutilmente) foliões de continuarem fazendo os muros da rua da Concórdia de banheiro público.

A comunidade que ocupa o terreno ao longo da Avenida Sul, que colocou bebidas, lanches, cigarros para venda, abriu banheiros sob ingresso de R$ 2 e chuveirões que jorravam água para quem quisesse amenizar o calor por R$ 1. Tendas de lonas improvisadas também serviram de banheiro, com cobrança de R$ 2. A Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano, por sua assessoria de Imprensa, explicou que a fiscalização não seria de responsabilidade da Prefeitura do Recife, uma vez que o terreno da Avenida Sul (onde ficam os armazéns do Cais José Estelita) são de propriedade da União.

"Vocês, aí, nem parecem que estão no Galo", disse o maestro Forró diante de um dos camarotes. Com cada vez mais foliões buscando mais segurança e "conforto" em camarotes e transformando abadás em fantasias, o Galo parece que vai se padronizando e a espontaneidade natural que sempre foi sua marca nessas quatro décadas parece ceder a ruas esvaziadas e espaços pagos abarrotados. Se essa é a nova configuração do bloco, os próximos desfiles dirão.

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