No WhatsApp, críticas ao TSE conseguem unir eleitores de Bolsonaro e Haddad
Diante da pressão, TSE se reuniu com Conselho Consultivo sobre Internet e Eleições para conhecer estratégias contra a desinformação
A atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem deixado eleitores de Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) descontentes por diferentes motivos. Para os primeiros, o TSE tem sido complacente com a disseminação de mentiras contra o PT por WhatsApp. Para os petistas, o tribunal faz vista grossa a denúncias de fraudes nas urnas eletrônicas.
Nesta quinta-feira (25) o Tribunal determinou a retirada de 55 links da web com um vídeo em que Jair Bolsonaro questiona a lisura do sistema de votação brasileiro. O deputado presidenciável bate nesta tecla desde, pelo menos, o dia 16 de setembro, quando disse em transmissão pelo Facebook que a fraude nos resultados faz parte de um plano para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) possa deixar a prisão.
Foi justamente a situação de apenado, enquadrado na Lei da Ficha Limpa, que fundamentou a decisão do TSE de barrar a candidatura do ex-presidente Lula. Em agosto, o Tribunal também ignorara medida provisória do Comitê de Direitos Humanos da ONU, que pedia para que Lula pudesse concorrer às eleições. Naquele momento, a opinião dos partidários lulistas era de que a eleição sem Lula era fraude.
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Segundo os apoiadores de Haddad, a sistemática campanha contra o PT no WhatsApp é o principal problema que o TSE faz pouco caso. No dia 18 de outubro, a Folha de S.Paulo revelou que empresas compraram pacotes de disparo de mensagens em massa, via WhatsApp, contra o petista. Documentos confirmaram a oferta do serviço, que é ilegal.
Diante da pressão por resposta, os ministros do TSE se reuniram na segunda-feira (22) com o Conselho Consultivo sobre Internet e Eleições, editores de sites de checagem de fatos e representantes das empresas de Redes Sociais (o WhatsApp participou por teleconferência) para conhecer estratégias contra a desinformação.
Os ministros do Tribunal dizem que agem com cautela para respeitar a liberdade de expressão. Nesse ponto, bolsonaristas expressam nas redes sociais sua desaprovação. Flávio Bolsonaro, filho de Jair, chegou a ter seu número banido do WhatsApp por mandar mensagens não solicitadas em massa (spam). A situação no WhatsApp tem estimulado um êxodo para outro aplicativo, onde os eleitores de Bolsonaro esperam ter mais liberdade de compartilhar conteúdo.
A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rosa Weber, avaliou no domingo (21) que a Justiça Eleitoral não falhou no combate à desinformação nestas eleições. Segundo ela, a disseminação de informações falsas é um "fenômeno mundial e o Poder Judiciário não tem uma solução pronta". "Gostaríamos de ter uma solução pronta e, de fato, não temos", disse.

