Noronha receberá carros elétricos

Projeto iniciado com o compartilhamento de veículos no Recife será estendido no Estado. Governo negocia parcerias com Estados Unidos e Alemanha

Carros elétricos serão expandidosCarros elétricos serão expandidos - Foto: Bruno Campos/ Arquivo Folha

Há dois anos, a cidade do Recife foi pioneira no Brasil ao implantar um sistema de carros elétricos compartilhados. O projeto, batizado de Carro Leve, defendia uma mobilidade sustentável com esse tipo de veículo que, disponibilizado em cinco estações localizadas nos bairros de Santo Amaro, de São José, do Derby e do Recife, além de ser movido a energia elétrica tinha como bandeira o transporte solidário por meio de carona. Porém, de repente, tanto os automóveis quanto os pontos de embarque desapareceram. 
  
Procurados pela Folha de Pernambuco, o Porto Digital - responsável pela implantação do sistema - e o Governo de Pernambuco, encarregado de coordenar sua continuidade, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco (Semas-PE), explicaram que a fase piloto do projeto foi encerrada e que, a exemplo do compartilhamento de bicicletas - Bike PE -, estão sendo formadas parcerias para a implantação definitiva do sistema. O secretário titular da pasta, Sérgio Xavier, garante que as novidades serão apresentadas ainda este ano.  

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"A primeira etapa foi um teste. Foi muito positivo. O sistema funciona, o aplicativo foi um sucesso e os usuários responderam a questões que nos ajudaram no desenvolvimento do projeto", explica o secretário. "Para a implantação da segunda etapa estamos dependendo das empresas fabricantes de carros elétricos. No momento não posso falar mais, porque essas empresas pediram sigilo", afirma.

Ainda assim, Xavier adianta que a ideia agora é oferecer o serviço em larga escala. Para tanto, o Governo vem negociando parcerias com os Estados americanos da Califórnia e do Havaí e, no próximo mês, deve fechar também com a Alemanha, com várias empresas envolvidas. Assim que tiver início, a nova etapa começará por Fernando de Noronha para depois voltar para a Capital, obedecendo a três prioridades: serviço de táxi, carro elétrico compartilhado e troca de carros particulares por carros elétricos. Entre as vantagens do sistema, o secretário aponta a diminuição de veículos particulares nas cidades. "Paris já tem mais de 10 mil. Para cada carro elétrico compartilhado são tirados sete carros (convencionais) das ruas."

O próprio Xavier, no entanto, ressalva aspectos que surgem como obstáculos nesse processo de transição que, para ele - e alguns países mais desenvolvidos têm mostrado isso -, é irreversível. "Primeiro, não dá para fazer esse projeto se não houver carro elétrico disponível. Também falta uma política e uma estratégia (do Governo Federal) que olhe para esse setor de forma inovadora. Não é um projeto simples, que uma secretaria, um governo estadual vai implantar. Mas Pernambuco está na frente desse processo", avalia.

Correndo atrás

Enquanto o uso do carro elétrico no Brasil continua sendo um desejo ou sonho para o futuro, em outros países as metas para sua implantação - e para o banimento dos veículos que utilizam combustíveis poluentes - seguem avançando. Esta semana, por exermplo, começou a valer em Londres uma tarifa extra para motoristas que utilizam automóveis mais poluentes do que o permitido pelo padrão europeu. Circular com esses veículos pela região central da cidade no horário comercial implicará em multa de cerca de R$ 90 por dia. E não é à toa. Estima-se que todo ano mais de nove mil londrinos morram prematuramente por causa da poluição.

Além do Reino Unido, a Noruega, Holanda, França, Alemanha, China e os Estados Unidos lideram a lista de países onde a mudança de realidade é mais visível. Na Noruega, onde a venda de carros com motor unicamente a combustão será proibida a partir de 2025, metade de todos os veículos automotores vendidos este ano já são elétricos ou híbridos. Recentemente, a Shell, uma das gigantes da distribuição de combustíveis, inaugurou seu primeiro posto de carregamento rápido para carros elétricos numa das estações de serviço no Reino Unido. A montadora sueca Volvo também anunciou que até 2020 só produzirá veículos elétricos ou híbridos. Gesto que são interpretados como uma reação otimista do mercado.

Ao contrapor a realidade desses países com o nosso País é possível se concluir que a estrada é longa, sobretudo, para os brasileiros, contudo, o destino é inevitável.
 

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