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´Fake news´ ganham projeção graças às novas tecnologias, que impulsionam seu alcance largamente

As fake news estão no trending topic. Mas o assunto do momento não tem nada de novo. As falsas notícias sempre existiram. Só que agora ganham projeção graças às novas tecnologias, que impulsionam seu alcance largamente. E elas são realmente uma praga. Invadem nossas redes sociais e alguns canais falaciosos na web. Chegam com cara de verdade, mas são como um Cavalo de Tróia, que contamina o subconsciente fazendo grande estrago. O maior problema das fake news é que as respostas a elas nem sempre têm o mesmo alcance, e nem o mesmo apelo.

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Então, quando tentamos desmenti-las, só há uma certeza: o número que teve acesso à mentira será bem superior ao que soube da verdade. Há mentiras de todos os quilates: do financiamento público para a drag queen Pabllo Vittar apresentar um programa infantil na Globo, ao estrago feito pela Rússia nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, usando hackers para influenciar os eleitores.

Mas também há o lado inverso. Há quem, após dizer bobagens, atribua às fake news a culpa pela “fofoca”. Como o presidente Donald Trump que, após a recente chacina numa escola da Flórida, sugeriu armar professores para reagir a eventuais tiroteios nas unidades de ensino. No dia seguinte, no Twitter, ele disse que não disse. “São fake news”, sugeriu o presidente.

O problema está justamente aí. Agências de notícias, os jornais impressos, os sites noticiosos, as rádios, as TVs são instrumentos sérios de comunicação, sujeitos ao crivo da legislação se publicarem mentiras. Trump deu sua desastrosa declaração em frente a um batalhão de jornalistas e no dia seguinte quis amenizar o estrago sugerindo que tudo não passou de mentira. Mentira de quem? Dos jornalistas que gravaram suas declarações, presidente? Não, isso não foi fake news!

Trago este caso aqui porque estamos diante de um processo eleitoral que se inicia, período em que a manipulação da informação ganha fôlego. Sabemos que haverá muitas mentiras no jogo, mas o eleitor deve estar duplamente atento porque muitas verdades serão tratadas como mentiras. E vamos torcer para que a campanha de combate a fake news lançada na semana que se encerra pelo Tribunal Regional Eleitoral seja exitosa. Porque o cenário é preocupante. Levantamento realizado pelo Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai), da Universidade de São Paulo (USP) estima que só nas redes sociais, 12 milhões de pessoas compartilhem informações inverídicas.

A melhor forma de combater as notícias falsas é buscar a informação verdadeira em veículos de credibilidade, como este que você está lendo agora. Porque não se deve dar credibilidade a conteúdos que circulam pela internet aleatoriamente, passando de um para o outro sem que se sabia sua origem. A notícia sempre tem um autor. Na edição de fim de semana da Folha Mais você poderá entender como as fake news afeta a sua vida. Confira.

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