O aplicativo é apenas um dos recursos disponibilizados para as mulheres neste Carnaval
O aplicativo é apenas um dos recursos disponibilizados para as mulheres neste CarnavalFoto: Anderson Stevens

Mulheres que sofrerem assédio sexual durante o Carnaval no Recife e em Olinda têm uma ferramenta a mais para denunciar os casos. Com o celular, elas podem relatar a violência em um canal no WhatsApp (81) 99140.5869. O número está sendo disponibilizado dentro da campanha #AconteceuNoCarnaval, que, em sua segunda edição, busca fornecer apoio às vítimas e orientações acerca de como procurar ajuda. A novidade já está funcionando nesta fase de prévias carnavalescas. Com base nas queixas recebidas em 2017, a ferramenta construiu, inclusive, mapas de onde foram relatados mais casos de assédio sexual.

No Bairro do Recife, o Marco Zero foi cenário da maioria das ocorrências denunciadas. Na sequência, veio a rua Madre de Deus. É na região que ocorre a abertura da programação oficial da festa promovida pela Prefeitura, na véspera do Sábado de Zé Pereira, além de desfiles de agremiações durante a fase de prévias. Em Olinda, a adesão das usuárias foi maior. As ruas Treze de Maio e do Bonfim foram as campeãs de relatos. Também houve queixas no Mercado da Ribeira, Varadouro e na Praça de São Pedro. Toques nas partes íntimas ou beijo forçado foram as formas de violência mais relatadas pelas mulheres que participaram da campanha em 2017. Ao todo, foram 66 denúncias.

Neste ano, a iniciativa é promovida pelas redes Meu Recife, Mete a Colher e Women Friendly, ligadas à sociedade civil organizada. O intuito é criar uma mobilização maior, em parceria com redes de fora do Estado, e amplificar as denúncias de casos de assédio sexual, atingindo mais de quatro milhões de pessoas em Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. A expectativa é receber mais de cinco mil relatos até fevereiro. Além do número de WhatsApp, as usuárias contam com o site www.aconteceunocarnaval.org.

Advogada e mobilizadora da rede Meu Recife, Madalena Rodrigues lembra que a ideia da campanha não é substituir a denúncia que deve ser feita na Delegacia da Mulher ou o acompanhamento psicossocial a que a vítima deve recorrer, mas se apresentar como um estímulo à orientação e busca por ajuda. "Sabemos que o assédio sexual é um dos crimes mais subnotificados que temos, mas é muito importante termos dados para conseguir, junto às secretarias da Mulher, uma política pública que auxilie as mulheres nos próximos carnavais", avalia.

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 A co-fundadora da startup Mete a Colher, Renata Albertim, ressalta que a possibilidade de os relatos serem feitos no WhatsApp foi pensada para atingir um número maior de usuárias. "Procuramos garantir que as mulheres, de forma simples, reportem o assédio que sofreram. Mas os relatos que vamos receber não servirão como denúncia nas delegacias, mas para a construção do nosso relatório e como uma ponte para que essas mulheres tenham orientação e apoio. As vítimas precisam, sim, ir à delegacia", ressalta. 

A campanha terá também ações físicas e, pelo segundo ano, distribuirá as "fitinhas da sororidade". As pulseiras, juntamente com tatuagens temáticas, permitirão que mulheres se identifiquem, nos polos de folia, como dispostas a ajudar vítimas de assédio. Residências no Sítio Histórico de Olinda também devem exibir banners e cartazes indicando que ali são pontos de ajuda a quem sofreu esse tipo de violência. 

Paulista
Em Paulista, um bloco criado pela Secretaria Executiva de Políticas Públicas para as Mulheres também vai trazer a temática à tona. Com o nome “Xingou, bateu. É Penha!”, a agremiação sairá pela primeira vez em 6 de fevereiro, às 15h, com partida na rua Siqueira Campos, no centro da cidade. Uma orquestra de frevo animará o percurso. Serão distribuídos informativos sobre os direitos e serviços oferecidos no enfrentamento à violência. Quem quiser adquirir a camisa do bloco deve doar dois quilos de alimento não perecível em endereços disponibilizados no site www.paulista.pe.gov.br. Os donativos serão enviados a mulheres vítimas da violência acolhidas pela prefeitura.

Como procurar ajuda

- Delegacias de Atendimento às Mulheres (DEAMs)

- Central de Teleatendimento Cidadã Pernambucana
Funciona 24 horas, todos os dias, inclusive feriados, por meio do número 0800.281.8187. A ligação é gratuita e pode ser feita por celular.

- Disque 180
Funciona como canal para direitos e serviços voltados à população feminina. A ligação é gratuita.

- Centro de Referência Clarice Lispector (Recife)
Situado no bairro da Boa Vista, no Recife, conta com o Liga, Mulher (0800.281.0107).

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