Noite dos Tambores Silenciosos
Noite dos Tambores SilenciososFoto: Arthur De Souza/Folha de Pernambuco

Na segunda à noite (12), o pátio do Terço - local historicamente marcado pelo negro feito escravo no Recife - é da Noite dos Tambores Silenciosos, uma cerimônia de raiz africana que reúne vários maracatus em memória de seus antepassados. O acesso é gratuito, tem início por volta das 20h e seu ponto alto ocorre à meia-noite.

“A preparação para a Noite acontece na sexta-feira, quando fazemos a obrigação, uma homenagem para os eguns, que são os nossos antepassados. É uma preparação necessária, já que foi ali que morreram negros. Era parada de navio negreiro. A cerimônia é como uma missa para eles, rezada em nagô, um dialeto africano, porque eles não falaram português”, diz Raminho de Oxóssi, que há 36 anos comanda a Noite. Iansã é o orixá que rege essa cerimônia. “Ela é a rainha dos mortos”, explica o tata.

À meia-noite, as luzes são apagadas. “O silêncio dos tambores é dedicado aos ancestrais, em respeito a eles. Apagamos as luzes porque aparecem vultos, que poderiam ser vistos”, diz Raminho de Oxóssi. É também nesse momento que quatro pombas brancas, que representam a paz, são soltas.

Raminho conta que o ritual, que passou a integrar a programação do Carnaval do Recife, sempre existiu, e que não vê problema em sua popularização. “Na segunda-feira de Carnaval era quando os negros faziam aquela festa de liberdade”. Antes de ser guiado pelo tata, estava à frente a mãe de santo dele, sinhá Eugênia da Costa.

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