A menina Beatriz Angélica, de 7 anos, foi assassinada em 10 de dezembro de 2015
A menina Beatriz Angélica, de 7 anos, foi assassinada em 10 de dezembro de 2015Foto: Reprodução/Acervo Pessoal

A falta de resolução no caso Beatriz levanta questões cruciais sobre como as investigações foram conduzidas até aqui e a responsabilidade do Poder Judiciário diante de casos como este. Na manhã desta sexta-feira (11), a mãe da menina Beatriz Angélica, Lúcia Mota, voltou ao Recife para pedir ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) celeridade no cumprimento da prisão do funcionário da instituição de ensino, que teria deletado imagens das câmeras de segurança do circuito interno, essenciais para a investigação.

Neste sábado (12), completa um mês que o TJPE decretou a prisão preventiva de Allison Henrique de Carvalho Cunha, técnico em informática do Colégio Nossa Senhora Maria Auxiliadora, em Petrolina, no Sertão de Pernambuco. Segundo a Polícia Civil de Pernambuco, ele continua foragido.

Após ser recebida, a portas fechadas, no Fórum Thomaz de Aquino, no bairro de Santo Antônio, pela desembargadora Daisy Andrade; e, posteriormente, no Palácio da Justiça, pelo presidente do TJPE, o desembargador Adalberto de Oliveria Melo, ela declarou estar aliviada com a postura da instituição. "Ter esse contato, ouvir que ele [o presidente do TJPE] também é favorável à prisão [do funcionário] e que entende que as investigações tenham, de fato, iniciado agora em dezembro de 2018, me trouxe um alívio", desabafou Lúcia Mota.

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"O que a gente busca é transparência e informação. O inquérito até a semana passada estava sob sigilo. Esta semana foi aberto para a gente. A delegada responsável, junto com o Ministério Público, foram favoráveis. Na próxima semana, vamos estar com os volumes e poder atuar diretamente, como assistentes, no inquérito", contou a mãe. Desta vez ela cobrou transparência também quanto ao processo envolvendo o funcionário Allison Henrique.

Ainda de acordo com Lúcia Mota, o desembargador Adalberto de Oliveira Melo informou que há em curso um pedido de recurso pela defesa de Allison Henrique. "É frustrante. Nós lutamos para que fosse favorável a prisão, o Judiciário entendeu que sim e a polícia não conseguiu capturá-lo ainda. Tenho certeza que ele tem muito a colaborar com as investigações, que ele seja uma peça chave para o desenrolar das investigações", disse. 

Ela questiona também a atuação da instituição de ensino, que não disponibilizou as imagens do circuito de segurança de imediato, e levantou indagações quanto às motivações do funcionário para apagar os registros. "Conto com a participação dele. Seria capaz de perdoá-lo se ele ajudasse a fazer justiça pela minha filha", declarou.

Em julho de 2018, a delegada responsável Polyana Neri solicitou a prisão de Allison, que foi negada pela desembargadora Elayne Brandão. Posteriormente o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) impetrou um recurso contra a negativa, que foi acatada pelo desembargador Cláudio Nogueira.

Lucinha Mota, mãe de Beatriz

Lucinha Mota, mãe de Beatriz - Crédito: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Entenda o caso
Há três anos e um mês, no dia 10 de dezembro de 2015, a menina Beatriz Angélica Mota, de 7 anos, foi assassinada brutalmente com 42 facadas durante uma festa, dentro do Colégio Nossa Senhora Maria Auxiliadora, em Petrolina. Na época, as investigações foram assumidas por dois delegados, Gleide Ângelo, do Recife, e Marceone Ferreira, responsável pelo caso em Petrolina. Após quase dois anos, sem qualquer solução, a família de Beatriz se reuniu no Palácio do Campo das Princesas com o chefe da Polícia Civil de Pernambuco, Joselito Amaral, e o então secretário de Defesa Social, Antônio de Pádua.

O caso foi assumido pela delegada Francisca Pollyana Neri, que, segundo a Polícia Civil de Pernambuco (PCPE), vinha se destacando na investigação de homicídios e estaria integralmente na região. No dia 12 de dezembro de 2018, a PCPE divulgou imagens das câmeras de segurança do circuito interno. Na gravação, é possível ver o técnico em informática Allison Henrique de Carvalho Cunha, 40 anos, entrando na sala dos servidores da escola. Alisson é acusado de apagar as imagens das câmeras da instituição de ensino e obstruir o trabalho da polícia.

Em coletiva, a delegada Pollyana Neri disse ter ouvido Allison diversas vezes, mas que ele sempre negou ter eliminado a filmagem dos arquivos. A participação de outras pessoas no crime de obstrução não foi descartada. Em nota, o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora assegura que a instituição e seus membros têm adotado uma postura colaborativa com o caso. Diante da possibilidade de outros funcionários terem ajudado Allison, a unidade pediu cautela. “A exposição de pessoas inocentes, como já vistos em outras ocasiões, pode acarretas danos irreparáveis, moral e fisicamente", declarou.

 

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