Lama ainda prevalece no local onde morreram cinco vítimas em Abreu e Lima
Lama ainda prevalece no local onde morreram cinco vítimas em Abreu e LimaFoto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

A dificuldade para chegar ao Córrego da Areia, em Caetés I, Abreu e Lima, persiste. Treze dias depois do temporal que matou 12 pessoas em deslizamentos de terra no Grande Recife, a lama prevalece no local onde morreram cinco vítimas, quatro delas da mesma família. O barro molhado, armadilha para os carros que tentam passar por ali, se mistura à parte restante dos destroços das quatro casas derrubadas pela chuva.

Nesse cenário, a Folha de Pernambuco conversou com alguns dos moradores da comunidade que tiveram de deixar suas casas. Apreensivos com o futuro, eles cobram obras de prevenção contra desmoronamentos nas encostas e criticam o valor do auxílio-moradia oferecido pela prefeitura, de R$ 150.

“Não tem condições de encontrar um aluguel nesse valor”, lamenta Lindinalva Cândida Pereira, 41, que agora mora na casa de uma amiga. Andando de galocha, ela corre em meio à burocracia para recuperar os documentos que perdeu e dar entrada no auxílio. “Eu tenho que levar o proprietário lá [à prefeitura], levar documentação, para depois receber a merreca. É triste”, desabafa.

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“Onde é que tem uma casa de R$ 150?”, também questiona o aposentado José Luiz da Mota, 70, que agora vive nas dependências de uma igreja evangélica em Caetés 3. A barreira, que fica de frente para a casa dele, entrou no térreo e no quintal e por pouco não desmoronou toda a estrutura. O chão da residência ficou coberto de lama. Para José Luiz, é possível continuar morando no local desde que sejam feitas canaletas no ponto da encosta que cedeu mesmo com os muros de arrimo. “Até agora não chegaram com o trator para abrir a canaleta”, conta.

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No dia do deslizamento, ele e a mulher, Eunice Francelina da Silva, 57, acordaram com um estrondo por volta das 3h. “Todas as casas flutuando, chegavam à parede da nossa casa e eram destruídas”, lembra Eunice. Em meio ao desastre, o marido teve uma queda de pressão e desmaiou na lama. “Foi difícil agir sozinha no escuro, mas acabei levando ele ao hospital [e Maternidade de Abreu e Lima]”, recorda.

Desempregado, o mecânico Natanael Fernandes da Luz, 56, era o último morador da localidade que resistia a deixar o lugar onde morava com os 16 gatos e cinco cachorros. Na segunda-feira (5), ele disse que recebeu a notificação de ordem judicial para sair da moradia e conseguiu um canto para ficar na casa de um amigo, também em Caetés I, em uma área que não foi atingida.

“Eu fiz o cadastro para receber o auxílio-moradia, mas até agora nada. Ao contrário dos meus vizinhos, eu não tenho família aqui em Pernambuco. Meu irmão mora em São Paulo, mas não tenho condições de ir para lá. Agora vou ver o que fazer”, diz.

A reportagem entrou em contato com o Tribunal de Justiça do Estado para confirmar a decisão. O órgão informou que o processo corre na comarca de Abreu e Lima.

Por meio de nota, a Prefeitura de Abreu e Lima informou que o solo das encostas no bairro de Caetés I apresenta um número elevado de voçorocas, que são erosões provocadas pela chuva e que abrem grandes buracos nas áreas de risco.

O texto afirma ainda que o município já fez obras em parceria com o governo federal para conter essas erosões nas ruas 24, 128 e 129 e que o poder público municipal aguarda aprovação da Caixa Econômica Federal para convênio de R$ 16 milhões voltados para contenção de voçorocas nas ruas 137 em Caetés I e 26 em Caetés III. Além disso, foi enviado à Defesa Civil Nacional um plano de detalhamento das áreas de encosta para minimizar os danos causados aos moradores.

Em relação ao auxílio-aluguel, a prefeitura disse que estuda aumentar o valor de R$ 150 para até R$ 300. O reajuste no benefício está sendo discutido com a Câmara de Vereadores. A proposta será enviada nos próximos dias.

Lama ainda prevalece no local onde morreram cinco vítimas em Abreu e Lima
Lama ainda prevalece no local onde morreram cinco vítimas em Abreu e LimaFoto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco
Lama ainda prevalece no local onde morreram cinco vítimas em Abreu e Lima
Lama ainda prevalece no local onde morreram cinco vítimas em Abreu e LimaFoto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco
Lama ainda prevalece no local onde morreram cinco vítimas em Abreu e Lima
Lama ainda prevalece no local onde morreram cinco vítimas em Abreu e LimaFoto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco
Lama ainda prevalece no local onde morreram cinco vítimas em Abreu e Lima
Lama ainda prevalece no local onde morreram cinco vítimas em Abreu e LimaFoto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

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