Chuvas provocam transtornos e alagamentos em Olinda
Chuvas provocam transtornos e alagamentos em OlindaFoto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Pernambuco vive hoje duas realidades completamente opostas por causa das mudanças no clima. Na mesma semana em que cidades do Litoral e da Mata Sul, como Barreiros, Tamandaré e São José da Coroa Grande, sofreram com inundações que deixaram mais de 500 famílias desalojadas, nesta terça-feira (23) o governo do estado ampliou a situação de emergência para 63 municípios do Agreste em decorrência da estiagem. Entre eles estão Garanhuns, Gravatá, Bezerros, Pesqueira, São Caetano e Belo Jardim.

A medida, publicada no Diário Oficial após parecer técnico da Secretaria Executiva de Defesa Civil, substitui o decreto que valia até 22 de julho e contemplava 62 das 71 cidades da região. A nova lista, que permanece em vigor pelos próximos 180 dias, incluiu Toritama e Santa Cruz do Capibaribe, ficando de fora o município de Bonito. “É o conflito que nós temos todo ano. Isso faz parte do estado que nesse aspecto hidrológico tem dificuldades e a gente tem que cumprir esse papel porque é necessário para as ações de combate à estiagem ao mesmo tempo em que devemos continuar olhando a questão das chuvas”, disse o governador Paulo Câmara. Para as cidades do Sertão, o atual decreto tem validade até setembro.

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De acordo com o secretário executivo de Defesa Civil do estado, coronel Lamartine Barbosa, a declaração de emergência garante aos municípios mais acesso a recursos e políticas do governo federal. “Mais à frente, a Defesa Civil nacional faz o reconhecimento da situação e se tornam possíveis ações emergenciais, como fornecimento de água e [auxílio para] as plantações e manejo do gado”, afirmou. Além disso, os municípios contemplados entram na Operação Carro-Pipa, programa federal de distribuição emergencial de água para consumo em áreas atingidas pela seca.

Ainda segundo a Defesa Civil estadual, as verificações são feitas a cada 180 dias a partir do formulário de informações de desastres (Fide), elaborado pelas prefeituras. As cidades também recebem vistorias periódicas. O objetivo é estabelecer uma situação jurídica especial, beneficiando, principalmente, os setores que vivem da agricultura. “Nós estamos no período de quadra invernosa, que vai de abril a julho. Mesmo assim, não deixamos de enfrentar o problema da seca, uma vez que as chuvas não acontecem em todo o período e em todas as regiões”, justificou o secretário.

Previsão de mais chuva na RMR e Zona da Mata
Nas áreas mais próximas ao litoral, a previsão para esta quarta-feira (24) é de mais chuva ao longo do dia. A Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) emitiu alerta de precipitações moderadas a fortes no Grande Recife e nas Matas Norte e Sul. Por conta disso, a Defesa Civil da Capital se mantém em estado de alerta, orientando os moradores de áreas de risco a seguirem para locais seguros. Em caso de emergência, a recomendação é entrar em contato pelo 0800 081 3400.

Em Barreiros, as 518 famílias que ficaram desalojadas no fim de semana voltaram para as suas casas, segundo a Coordenadoria de Defesa Civil do Estado (Codecipe). Na mesma situação se encontram as cidades de Tamandaré e São José da Coroa Grande. Ainda de acordo com o órgão, estão sendo fornecidos itens de assistência humanitária, conforme a demanda de cada município. Entre os produtos distribuídos, estão colchões, cobertores, água mineral e kits de alimentação e higiene.

Nos últimos dias, houve registro de deslizamentos de barreiras na comunidade de Jardim Monte Verde, em Jaboatão dos Guararapes, e na Travessa Joaquim Moura, em Timbaúba, na Mata Norte, ambos sem vítimas. No Recife, uma árvore caiu, nesta terça-feira (23), na rua Gonçalves Maia, em frente ao Consulado Americano, no bairro da Boa Vista. A via ficou obstruída pela manhã até as 10h, quando a Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) fez a remoção da árvore. Não houve feridos. Em São Lourenço da Mata, o Rio Capibaribe, após subir para 3,5 metros, entrando em nível de alerta, voltou a baixar para 2,7 metros, vazão considerada normal pela Apac, sem risco de inundação.

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