Frater Flávio Alexandre da Silva, 41 anos
Frater Flávio Alexandre da Silva, 41 anosFoto: Arquivo pessoal / Flávio Alexandre da Silva

Estudando para ser padre, o frater Flávio Alexandre da Silva, 41 anos, mora enclausurado em uma comunidade com mais 11 religiosos da Congregação do Santíssimo Redentor, no Ipiranga. Mesmo assim, ele levou um susto ao ser contaminado com o novo coronavírus.

Flávio, que ficou em estado grave, com 50% dos pulmões comprometidos pela Covid-19, teve de ser internado por nove dias na UTI para se recuperar totalmente. Ele acredita que se contaminou ainda em março, quando foi a uma consulta no cardiologista do Hospital AC Camargo. "Não sei se foi no metrô, na rua ou no hospital, porque não cumprimentei ninguém, mas desconfio que tenha sido lá, porque depois não saí mais de casa".

Leia também:
Maioria da população não tem anticorpos contra Covid-19, diz OMS
Covid-19: estudo indica que maioria de infectados cria anticorpos
Maior parte das pessoas com Covid-19 desenvolve anticorpos, mostra estudo


Os primeiros sintomas pareciam os de um resfriado comum, mas logo ele perdeu o paladar e o olfato. Em um sábado, diz ter acordado com muita tosse, febre e problemas respiratórios. Tanto que passou mal na hora do almoço e foi levado para o Hospital São Camilo do Ipiranga, onde fez vários exames. Segundo ele, os exames comuns estavam normais, mas a tomografia mostrou uma pneumonia.

Foi então para o São Camilo da Pompeia. Como ele é hipertenso e faz parte do grupo de risco, os médicos logo o internaram. "Infelizmente, meu quadro piorou. Parecia que meu corpo estava morrendo. Quis tomar banho um dia à tarde, mas não aguentei, com falta de ar. Tive de chamar a enfermeira. A médica passou logo depois e disse que infelizmente eu estava com Covid grave."

A médica, então, mudou os medicamentos e incluiu a hidroxicloroquina, remédio que pode afetar o coração. "Só usei a hidroxicloroquina porque era caso grave", diz Flávio, destacando que depois fez exame de eletrocardiograma e o resultado deu normal.

Após a alta, o frater se isolou no quarto. A tosse melhorou, mas ele ainda diz sentir cansaço, principalmente quando sobe escadas. "A médica disse que demora 60 dias para o pulmão voltar ao normal. Então, vou fazendo coisas leves", finaliza.

Essa experiência nada agradável o levou a tomar a decisão de participar da luta contra a Covid-19, mas como doador. Como já doava sangue rotineiramente, ele ficou sabendo de um estudo que está sendo feito pelo Centro de Hematologia e Hemoterapia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que coletará o plasma (parte líquida do sangue) de pessoas que se curaram da Covid-19 para usá-lo em uma pesquisa envolvendo o tratamento de pacientes com a doença no Hospital de Clínicas da Faculdade de Ciências Médicas da universidade e em outros hospitais da região.

A ideia do estudo é fazer a transfusão do plasma já com anticorpos em pacientes em estágio intermediário da doença para acelerar o processo de recuperação. Se os resultados forem positivos, será uma boa opção para evitar que os casos se agravem.

Acompanhe a cobertura em tempo real da pandemia de coronavírus

 

veja também

comentários

comece o dia bem informado: