Equipamentos da orla estão danificados. Os bancos estão quebrados ou rachados
Equipamentos da orla estão danificados. Os bancos estão quebrados ou rachadosFoto: Leo Motta

 

A cara nova apresentada para a Orla de Olinda durou pouco. Apenas um ano após o término das obras de requalificação, ao custo de R$ 25 milhões, a faixa de praia da Cidade já se mostra tomada pelo descaso. Lixo, equipamentos quebrados e muitos buracos reforçam o cenário de abandono e carência de manutenção. Os serviços se arrastaram por mais de cinco anos e incluíram mudanças no trânsito e estacionamento, além da instalação de ciclovias. Essas já não conseguem cumprir o seu papel. No meio do caminho, cavalos circulam livremente e o comercio toma conta do espaço de pedestres e bicicletas. Ao longo dos nove quilômetros de extensão, os problemas se multiplicam, junto com as reclamações de turistas e frequentadores.

É na praia dos Milagres, conhecida do público pela calmaria das águas, que a sujeira consegue imperar de forma mais grave. Os sacos de dejetos podem ser vistos entre as pedras, na faixa de areia e, até mesmo, no mar. A situação não é diferente na praça local, onde os bancos também já desapareceram. “Já faz tempo que as coisas desandaram por aqui”, lamenta a dona de casa Socorro Melo, 47, que reside próximo. As muretas de proteção exibem lacunas e as que sobraram trazem ferragens à mostra e a necessidade de nova pintura. “É como se fechassem os olhos para os problemas e aguardassem apenas o ano acabar”, critica a corretora de seguros Emidia Oliveira, 47, fazendo relação com os desafios que ficam para a nova administração, em 2017.

Apesar das obras estruturadoras realizadas, o sistema de drenagem segue a despejar, em alguns trechos, o esgoto diretamente no mar. A sinalização desapareceu em vários pontos da pista de cooper, com a sinalização horizontal dando lugar a marcas do vandalismo. Motocicletas seguem sobre as calçadas sem qualquer fiscalização. Os acidentes se repetem. E quando o sol vai embora, alguns postes de iluminação depredados também já não mostram serventia. “É um desrespeito com o uso do dinheiro público”, ressalta a pedagoga Geovana Neta, 58. No Carmo, nem mesmo o Fortim do Queijo conseguiu escapar. As pichações seguem desde a placa de identificação e se estendem por todas as paredes.

Para o secretário de Serviços Públicos de Olinda, Manoel Sátiro, a situação está dentro do controle. “Nosso compromisso é continuar fazendo a nossa parte. Porém, o desgaste é natural em alguns pontos. Caso seja necessária licitação para contratar novas obras, não teremos mais tempo hábil”, justificou, sem esclarecer se ainda existe verba assegurada. Os banheiros públicos seguem de portas fechadas, com as necessidades sendo feitas na via pública. O odor logo afugenta. Seguindo pelo Bairro Novo e Casa Caiada, os brinquedos de recreação infantil estão quebrados. A estrutura avariada representa um perigo para pais e crianças desavisadas.

Representando frustração, os equipamentos de exercícios físicos também foram depredados. Barras, alças e suportes foram consumidos pela ferrugem. Grande parte das lixeiras foi destruída e os novos quiosques erguidos jamais iniciaram o funcionamento.

As geladotecas (eletrodomésticos reformados para abrigar livros) também seguiram no pacote destruído. “Perdemos um conhecimento que poderia estar ao alcance de todos”, aponta o professor Morgan Silva, 43. O cenário não é diferente em Rio Doce. Barracas dificultam a locomoção dos banhistas, despejando detritos na areia, O mato, de tão alto, consegue esconder a beleza da beira mar.

 

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