Exorcismo é uma antiga prática
Exorcismo é uma antiga práticaFoto: Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco

Os demônios parecem estar mais ocupados que nunca. Tanto, que a Igreja, em países como os Estados Unidos e a Itália, tem se movido no sentido de formar clérigos capazes de expurgá-los dos fiéis. Na última década, o número de exorcistas estadunidenses aumentou em quatro vezes. Atualmente, são 50 deles. Há pouco mais de um mês o New York Post publicou uma reportagem contando uma “necessidade urgente” de mais exorcistas. Na Itália, Foram 500 mil solicitações de exorcismo entre janeiro e outubro do ano passado. No Brasil faltam registros e, em Pernambuco, nem mesmo há um padre designado pelo arcebispo para a função de exorcista. Casos de possessão, contudo, são recorrentes e atendidos em caráter de emergência pelos religiosos do Estado.

Padres como Cosme Francisco, pároco de Nossa Senhora dos Remédios, em Afogados, Zona Oeste do Recife, recebem pessoas de várias cidades do Nordeste com essa demanda. São pessoas que sofrem a presença demoníaca por meio de infestação, obsessão, opressão e, de maneira mais perigosa, da possessão. Na infestação, ele conta, a pessoa capta a presença quando se aproxima de um lugar ou objeto possuído. “A opressão é diferente. A presença incomoda, estando sempre por perto. Podendo, inclusive, causar a obsessão, que é uma ideia fixa de suicídio, de homicídio ou de fazer o mal. Como uma voz interior.”

O primeiro exorcismo conhecido pelos católicos foi praticado, justamente, pelo próprio Cristo. O feito é contado na Bíblia, em Marcos. “Jesus encontra um homem possuído, ou seja, o demônio tomou conta dele. E aí Ele ordena que o ‘espírito imundo’ se cale e saia. Os presentes percebem que ele faz isso com autoridade e, é lindo porque a autoridade de Cristo é o amor”, contou o padre, que afirma o costume de se deparar com casos influência maligna com frequência, no mínimo, quinzenal.

A Bíblia não deixa claro onde estão os demônios. “Os textos sagrados falam de uma batalha no céu, que ainda hoje está ocorrendo. Foi de lá que eles saíram. Mas ela diz que eles estão nos ares e, ao mesmo tempo, em outro local, diz que estão num lugar inferior e o denominam inferno. A questão é que, quem age na direção contrária de Jesus está abrindo um canal para este local, e permite que eles viajem até nós.”

Tentáculos maléficos
A Igreja Ortodoxa adota uma postura mais inibida quanto à atuação do mal. Aparenta um tom mais crítico. Esqueça aquele corpo possuído, com alterações de voz e trejeitos: nada disso faz parte da compreensão que os cristãos orientais têm em relação às tentações demoníacas. Para eles, a ação dessas entidades consiste em algo mais ardiloso, que se aproveita principalmente da maneira como os humanos vivem suas vidas e enfrentam as dificuldades do seu entorno social.

É assim que Padre Mateus, diácono ortodoxo há quinze anos, explica a influência dos espíritos segundo a doutrina de sua igreja. “O mundo jaz no maligno. Ou seja, sobre a estrutura social. O homem não é um ser meramente material. O inferno é uma dimensão além, mas tem tentáculos aqui”, afirma.

“A ação demoníaca se dá pelas sugestões do pensamento. E aí é quando identificamos estilos de vida, conjunturas sociais que levam o homem a adoecer. Isso gera o desajuste da estrutura subjetiva do indivíduo. Existe uma sociedade ilusória, um mundo das ilusões. Essa maneira de viver é que adoece o ser humano e sua estrutura psíquica”, analisa.

Mesmo dentro dessa visão crítica à sociedade, os ortodoxos não abrem mão da prática do exorcismo, discreta e parcimoniosamente. “Muitas fenomenologias são patologias que se estabeleceram no psiquismo e, naturalmente, têm uma ação demoníaca, mas não necessariamente com a ação de um espírito manifestado na pessoa”, conta o padre.

Umbanda
Expurgar o mal não é uma exclusividade dos cristãos. A quase totalidade das religiões tem a sua própria maneira de interpretar e obstaculizar a ação de influências malignas. Mãe Celeste, 77, por exemplo, convive com espíritos e mensagens há 50 anos, desde que foi batizada na Umbanda. Sacerdotisa do Templo Espiritualista Pai Oxoce, no Ipsep, atesta que não são muito frequentes os casos de pessoas possuídas que a procuram. “Mas quando chega, uma equipe umas oito ou nove pessoas, entre médios de cura, de apoio e outros, faz um núcleo de oração”.

Mãe Celeste usa do sincretismo para explicar que não são os orixás os responsáveis pelas possessões. “Às vezes, é um espírito que nem sabe que desencarnou e pega aquele corpo aberto. São entidades que vêm em busca da luz. Eu nunca encontrei uma entidade ruim. A gente fala de igual pra igual ‘meu irmãozinho, você está sofrendo muito, mas isso não leva a nada’. A pessoa senta, fazem a cobertura e alguém capta a entidade”, relata.

Exorcismo é uma antiga prática
Exorcismo é uma antiga práticaFoto: Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco
Exorcismo é uma antiga prática
Exorcismo é uma antiga práticaFoto: Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco
Exorcismo é uma antiga prática
Exorcismo é uma antiga práticaFoto: Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco
Exorcismo é uma antiga prática
Exorcismo é uma antiga práticaFoto: Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco

veja também

comentários

comece o dia bem informado: