Mototáxis não têm autorização para circular em Olinda, mas atuam levando passageiros de linhas superlotadas da região
Mototáxis não têm autorização para circular em Olinda, mas atuam levando passageiros de linhas superlotadas da regiãoFoto: Anderson Stevens

Se os terminais integrados (TI) de Santa Luzia, na Zona Oeste do Recife, e Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes, estão subutilizados devido à rede de linhas deficiente, como a Folha de Pernambuco mostrou na semana passada, em outros, é a superlotação que afasta passageiros e dá margem a irregularidades. No entorno dos TIs Xambá e PE-15, em Olinda, por exemplo, é possível encontrar mototáxis e outros meios de transporte clandestinos a qualquer hora do dia.

Mais baratos que táxis e Uber, eles são uma alternativa aos usuários que buscam a rapidez e o conforto que, por vezes, faltam ao transporte público. A modalidade segue em atividade diante da falta de fiscalização do poder público.

As motos não têm as placas vermelhas que indicam a categoria “aluguel”. Nem poderiam, já que mototáxis são proibidos em Olinda. Algumas também não têm o capacete destinado a quem vai na garupa. Mas, mesmo sem nenhum controle e pouca segurança, o serviço é facilmente flagrado perto do TI Xambá, no bairro São Benedito.

Na rua Dunas, que dá acesso ao equipamento, há um ponto informal de motociclistas. Usando coletes, eles ficam à espera de passageiros para Águas Compridas ou Alto Nova Olinda, localidades atendidas por duas das 18 linhas do terminal. O intervalo entre os coletivos era para ser de até 20 minutos. Na prática, porém, passageiros reclamam da longa espera. “Muita gente cansa e pega uma moto. Sai por R$ 5, R$ 10”, comenta o funcionário de um condomínio próximo e usuário do transporte local.
Taxistas parados num ponto a menos de 50 metros de onde ocorrem as irregularidades denunciam a falta de fiscalização. “Não são só motos, mas táxis de Paulista e outras cidades. Quando tem greve ou o terminal está cheio, vários encostam aqui”, desabafou o permissionário Paulo Ricardo, 25.
Do lado de fora do TI PE-15, em Ouro Preto, 17 linhas de ônibus também enfrentam a disputa do transporte clandestino. Grupos de até três mototaxistas abordam passageiros.

A corrida sai, em média, por R$ 7. “Tem hora que você quer chegar rápido e, se esperar pelo ônibus, fica na mão”, disse a autônoma Auxiliadora Monteiro, após desistir de embarcar num veículo superlotado da linha 1923-Cidade Tabajara/TI PE-15. “São mais 40 minutos até vir outro”, contou.

O intervalo entre os ônibus dessa linha deveria variar de dez a 20 minutos, segundo a programação do Grande Recife Consórcio de Transporte. “Vai ficando tarde e os ônibus demoram mais. Às 11 da noite, tem vários mototáxis na frente do terminal”, completou a universitária Sttephany Gonzalez, 19.
A Secretaria de Transportes e Trânsito de Olinda afirmou, em nota, que mototáxis não são regulamentados na cidade e que, “se há casos deles circulando, são clandestinos”.

 A pasta também esclareceu que “desenvolve ações para o combate de transportes clandestinos”, mas que “essas ações ocorrem de forma esporádica, conforme são recebidas demandas e denúncias da população”.

Reclamações podem ser feitas por meio dos telefones (81) 3305.1029/ 1005/1009. Sobre o não cumprimento dos horários das viagens pelos ônibus, passageiros podem recorrer ao GRCT por meio da Central de Atendimento ao Cliente (0800.081.0158) ou do WhatsApp (99488.3999).

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