No Recife, Matriz de São Sebastião, da Igreja Católica, já foi invadida três vezes em um ano
No Recife, Matriz de São Sebastião, da Igreja Católica, já foi invadida três vezes em um anoFoto: Anderson stevens

O tiroteio dentro do centro espírita em Jaboatão dos Guararapes não foi um caso isolado. Nos últimos anos, outros espaços religiosos em Pernambuco não escaparam da insegurança nas ruas e foram cenários de ações que também terminaram com vidas perdidas. Os episódios preocupam, sobretudo pelo fato de alguns desses templos estarem em locais de vulnerabilidade social e com elevados índices de violência.

Em igrejas evangélicas, os exemplos recentes foram dramáticos. Nos últimos 11 meses, três cultos foram interrompidos por atiradores. Em fevereiro deste ano, uma mulher foi baleada cinco vezes dentro de uma unidade da Assembleia de Deus em Vitória de Santo Antão, na Mata Sul. Conforme as investigações, ela teria sido assassinada por acerto de contas, uma vez que havia denunciado pessoas por envolvimento com o tráfico de drogas.

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A disputa pelo controle da venda de entorpecentes também teria motivado uma ação nos Torrões, Zona Oeste da Capital. Quatro pessoas foram atingidas por tiros dentro de um templo há duas semanas, na véspera de São João. Uma delas era um fiel da igreja. Dos feridos, dois morreram. Já em setembro de 2016, um homem de 20 anos foi baleado no meio da rua e tentou se esconder dentro de um templo no bairro do Caçote, na mesma região da Cidade. Nesse caso, apesar do susto, ninguém mais sofreu ferimentos.

No caso da Igreja Católica, a Arquidiocese de Olinda e Recife não tem registro de assaltos (quando as vítimas estão em culto). Furtos praticados quando os locais estão vazios e que têm como alvos objetos de valor é que vêm dando dor de cabeça à instituição. A Matriz de São Sebastião, em Santo Amaro, área central do Recife, por exemplo, foi invadida três vezes em 2016. Foram levadas imagens, equipamentos de som e ofertas em dinheiro deixadas pelos fiéis. A Catedral de Nossa Senhora da Conceição, em Nazaré da Mata, Zona da Mata Norte do Estado, foi outro alvo há exatamente um ano. O prédio foi arrombado duas vezes em apenas 60 dias e teve coroas, cruzes e outros utensílios furtados.

Responsável pela forania da Igreja Católica que atende 60 mil fiéis em Maraial, Jaqueira e Catende, na Mata Sul, o padre José Edivaldo de Brito entende bem a luta contra a violência. No ano passado, quando ainda era vigário forâneo da região das praias do Litoral Sul, ele participou de tratativas com a Polícia Militar para pedir mais segurança.

“Essa é uma preocupação, principalmente nas igrejas que ficam nas cidades maiores, mas também aqui no Interior. Várias têm câmeras, algum tipo de monitoramento eletrônico. Cupira, Barreiros, Ribeirão... De vez em quando, surgem casos de furtos, de gente que leva objetos valiosos. Infelizmente, existe um desrespeito, uma banalização muito grande com o sagrado”, avalia.

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